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Romance retrata execução de comunista na Argélia por bomba que não matou ninguém

Fernand Iveton, único europeu guilhotinado na guerra da Argélia, foi morto mesmo sem vítima, após bomba que não detonou

Prisão de Fernand Iveton, na Argélia, em 1956. Foto ilustra a capa do livro 'Amanhã Não Ousarão Nos Assassinar', de Joseph Andras
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  • Fernand Iveton plantou uma bomba em uma usina de gás na Argélia com o objetivo de não ferir ninguém, mas a bomba não explodiu e não houve mortes; ele foi executado em guilhotina em Argel, em 1957, sendo o único europeu-argelino a ser morto na guerra de independência.
  • O episódio faz parte da luta pela independência da Argélia (1954-1962), na qual Iveton se juntou à Frente de Libertação Nacional (FLN) em protesto contra o colonialismo francês.
  • Iveton era um pied noir, nascido na Argélia, filho de pai francês e mãe espanhola; apesar de não ter matado ninguém, foi retratado como traidor pela imprensa da época.
  • O romance Amanhã Não Ousarão nos Assassinar, do francês Joseph Andras, reconta a história com vozes de Iveton e de sua mulher, Hélène, entre outros narradores, mantendo o tom documental e humano da memória.
  • O livro, vencedor do Prêmio Goncourt de primeiro romance em 2016, tem 126 páginas, foi publicado pela Manjuba (selo da Mundaréu) e destaca o contexto de torturas no cárcere e a brutalidade do período histórico.

Fernand Iveton, comunista, foi executado na Argélia em 1957, durante a guerra de independência. Apesar de a bomba que plantou ter sido programada para não explodir, ele foi guilhotinado em uma prisão de Argel. O caso é retratado no romance Amanhã Não Ousarão nos Assassinar, de Joseph Andras.

O livro relata que Iveton pretendia apenas enviar um recado às autoridades francesas e testemunhar a luta pela independência. O objetivo não era promover mortes, conforme descrito na narrativa, mas o réu foi considerado traidor pela França colonial.

Iveton era considerado Europeu: filho de francês e espanhola, natural da Argélia. Durante o julgamento sumário, ocorrido em apenas um dia, ele foi condenado à morte mesmo sem ter causado vítimas. A pena foi executada por guilhotina.

O caso ocorreu em meio a denúncias de desigualdade no cárcere, onde europeus recebiam mais recursos que nativos. Além da tortura, relatos mencionam choques elétricos e métodos de contenção aplicados aos prisioneiros.

A guerra da Argélia (1954-1962) consolidou-se como símbolo do colonialismo no pós-Segunda Guerra, influenciando movimentos de esquerda mundialmente. A independência veio com centenas de milhares de mortos e levou ao exílio de figuras políticas.

No romance, as vozes de Iveton, de sua mulher Hélène e de outros narradores se alternam, oferecendo uma visão multifacetada do período. A obra ressalta o contexto revolucionário e a complexidade do protagonista.

Publicada pela editora Manjuba, a obra tem 126 páginas e integra o selo Mundaréu. O autor Joseph Andras, vencedor do prêmio Goncourt de primeiro romance em 2016, recusou a premiação.

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