- Estúdios e plataformas migraram para apostas mais seguras e grandes franquias, levando a queda das comédias independentes do dia a dia nos anos 2020.
- As comédias bestas de faturamento alto não aparecem mais como sucesso de público; os últimos exemplares que ainda receberam barulho foram de 2019 para trás.
- Hoje, o humor aparece muitas vezes como adorno em filmes de ação, super-heróis ou terror, e não como narrativa central de comédia independente.
- As plataformas de streaming mostram pouco interesse em comédias puras, priorizando derivados de gênero ou comédia em produções grandes, com exceção de algumas iniciativas pontuais de estúdios espalhados.
- Ainda há espaço para comédias mais culturais/indies, como The Drama e Friendship, que conversam com humor mais autoral, embora em nichos e não como grandes blockbusters.
Durante o episódio desta semana do podcast The Rewatchables, a pauta girou em torno da comédia dedicada ao público comum, tema que parece ter sumido das telas. A discussão ocorreu após revisitar There’s Something About Mary, filme dos anos 90 que divide risos intensos e críticas ao passar do tempo.
Segundo a análise, o gênero conhecido por cenários do dia a dia — teens tentando perder a virgindade, encontros com o sogro, organização de casamentos — perdeu espaço para produções maiores. Em 2020, a lista de comédias consideradas “bawdy” não teve novos títulos relevantes, segundo a referência Box Office Mojo.
Ao lado da mudança de formato, a indústria aponta outra mudança: as comédias hoje aparecem mais como complemento de outros gêneros ou de universos já estabelecidos. Exemplo citado: Deadpool e Barbie, que combinam humor com construção de franquias, e não apenas humor isolado.
No cinema, a queda não é exclusividade da tela grande. Em plataformas de streaming, poucos projetos de comédia independente prosperam. Amazon já investiu em um título voltado ao humor de wedding, mas o foco segue em outras apostas, enquanto Netflix prioriza stand-up em sua agenda de comédia.
Entre os nomes que marcaram a era, aparecem Farrelly Brothers, Judd Apatow, Will Ferrell e SNL, cujos projetos reduziram a participação direta em filmes de maior alto astral. Paralelamente, criadores como Adam McKay, Seth Rogen e Tina Fey migraram para formatos diferentes, como séries ou enfoques mais dramáticos.
Panorama e esperanças
Ainda que haja silêncio na tela, surgem exceções mais próximas do humor puro. O Drama, da A24, e Friendship, de Tim Robinson, são citados como exemplos que exploram humor em situações reais, com toques de humor intenso e momentos mais sombrios. A esperança permanece de que o gênero retorne com propostas claras de comédia.
O texto aponta ainda que o próximo filme mencionado pela indústria é The Comeback King, uma comédia sobre um astro da country em queda, dirigido por Judd Apatow, com Glen Powell no elenco. A peça é apresentada como sinal de que a comédia pode retornar, ainda que em formato diferente.
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