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Cinco romances de arte para ler neste verão

Cinco romances de arte exploram como relações — mentoria, amizade e amor — moldam a produção artística e a identidade no cenário contemporâneo

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  • Transcription — Ben Lerner: narrador que precisa entrevistar o mentor, perde o celular e chega sem gravação, lidando com constrangimento e relações de mentoria e parentalidade, em tom que questiona a ideia de maturidade.
  • Discipline — Larissa Pham: romance sobre mentoria após o #MeToo, relação complexa entre acadêmico e aluna, receio de reconhecimento pela atração do professor, hino à frustração profissional e uma carta que tenta vingar, que não devolve a catarse esperada.
  • My Year in Paris with Gertrude Stein: A Fiction — Deborah Levy: escritora em Paris imagina o que Stein diria sobre situações do dia a dia; experimenta forma literária ao fundir vozes entre a narradora e Stein, explorando linguagem.
  • Lonely Crowds — Stephanie Wambugu: estreia que acompanha duas amigas de infância em Nova York, sob a ascensão da pintura figurativa negra; Ruth narra, analisando amizade tóxica e afetuosa, com dilemas entre natureza e criação.
  • Kill Dick — Luke Goebel: sátira sobre o mundo da arte, narrada por uma ex-aluna de uma escola de arte, que encara a herança dos Sackler ao se vingar, incluindo vício em OxyContin e uma instalação pública transgressora.

A lista reúne cinco novelas de arte lançadas no último ano, centradas em como a prática artística surge nas relações. Cada obra aborda vínculos entre amigos, mentores, familiares e artistas do passado, oferecendo diferentes perspectivas sobre o tema.

As obras selecionadas exploram encontros entre vida pessoal e criação, além de trazerem visões sobre o circuito artístico contemporâneo. Os lançamentos foram recebidos como contribuições relevantes para debates sobre gênero, poder e memória na arte.

Transcription

Ben Lerner

Transcription narra o dia a dia de alguém sem telefone que precisa entrevistar seu mentor. O protagonista visita a casa do mentor, encontra dificuldades em confessar um tropeço e recorre a artifícios para manter a pauta. A narrativa aborda relações de pai, filho e mentor. O livro questiona a ideia de que amadurecer é algo já realizado.

O enredo começa com uma situação constrangedora que se transforma em reflexão sobre responsabilidade e comunicação. O cenário inclui uma viagem a uma instituição de arte de peso internacional. A história explora como falhas pessoais afetam escolhas profissionais e relações próximas.

Discipline

Larissa Pham

Disciplina acompanha uma jovem artista e seu professor homem após o #MeToo. A relação entre eles é apresentada sem tabus, com impacto decisivo na carreira da protagonista. A protagonista teme que o sucesso dependa da atração do mentor, não do talento. Isso a leva a abandonar a pintura e a escrever sobre vingança feminina.

Durante a trajetória, o livro questiona a legitimidade de conquistas acadêmicas e artísticas. Ao final, o romance ficcionaliza uma possível consequência desse vínculo, quando o autor lê o que foi escrito. O romance aborda temas de poder e autonomia feminina no meio artístico.

My Year in Paris with Gertrude Stein: A Fiction

Deborah Levy

Uma escritora em Paris encara o desafio de escrever sobre Gertrude Stein. Ao longo do dia a dia, imagina as percepções de Stein sobre situações cotidianas e amigos. Levy experiments com a forma para aproximar voz da narradora à da figura central. A obra sugere uma fusão entre leitor, autora e Stein.

A narrativa brinca com linguagem e memória, refletindo sobre a relação entre estilo e identidade. A escrita de Levy experimenta formas que aproximam o leitor da obra de Stein. O resultado é uma leitura que dialoga com a modernidade literária.

Lonely Crowds

Stephanie Wambugu

Lonely Crowds acompanha duas amigas de infância que crescem em Nova York como artistas. Em cenário de ascensão da pintura figurativa negra, elas enfrentam pressões do meio. Maria é sociável e inquieta; Ruth é introvertida e analítica, servindo como narradora. O livro investiga natureza versus educação na amizade.

A narrativa descreve uma relação entre companheiras que oscila entre apoio e tensão. Ruth oferece uma visão estável da convivência marcada por expectativas profissionais e afetivas. A obra aborda identidades e trajetórias artísticas em formação.

Kill Dick

Luke Goebel

Kill Dick, estreia de Goebel, é uma sátira no estilo de uma revista. A história acompanha uma jovem de NYU que confronta a figura paterna, advogado de Dick Sickler, ligado a casos de abuso de opioides. A protagonista reage ao legado familiar através de uma instalação de arte pública e questões de rebeldia.

A obra mergulha no ambiente artístico bilíngue entre costa leste e oeste. Goebel explode convenções narrativas com humor ácido e crítica social. O livro dialoga com artistas contemporâneos e referências de memória histórica.

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