- Denise Stoklos, irmã da psicanalista Dayse Stoklos Malucelli, prepara monólogo dirigido por Alessandra Maestrini, inspirado em textos de Dalton Trevisan.
- A peça, prevista para o segundo semestre, nasceu de uma carta de Denise enviada em 2012 ao escritor; Trevisan faleceu em 2024, aos 99 anos, sem responder.
- O foco é o conto “Tiau, Topinho”, do livro “Dinorá – Novos Mistérios”, que aborda o luto pela morte do cachorro do autor; a obra terá nova edição ainda neste ano.
- A autorização para adaptar veio após a morte de Trevisan; a agência Fabiana Faversani destaca a importância das histórias de Dayse para a obra, que agora ganha esse novo formato.
- Além do projeto sobre Trevisan, Denise e Alessandra devem trabalhar juntos em outras produções, como “Nietzsche, do Cavalo Nada Sabemos” e a comédia “Amanhã”, com Falabella.
Denise Stoklos prepara um monólogo inspirado num conto de Dalton Trevisan, conhecido como o Vampiro de Curitiba. A peça, com direção de Alessandra Maestrini, surge a partir de uma carta enviada em 2012 pelo público-alvo da obra, que não recebeu resposta do escritor. Trevisan faleceu em 2024, aos 99 anos.
A obra centrar-se-á no conto Tiau, Topinho, do livro Dinorá – Novos Mistérios, e aborda o luto pela morte do cachorro de Trevisan. O material integra o projeto de Denise para encenar ainda neste ano, explorando o lado mais íntimo do autor curitibano. A ideia difere do estúdio anterior centrado nas histórias da irmã Dayse Stoklos Malucelli.
Dayse Stoklos Malucelli já colaborou com Trevisan desde os anos 1990, mantendo relação discreta. Embora tenha trocado cartas com o escritor, a psicanalista sempre manteve uma distância respeitosa. Denise descobriu a trajetória do vampiro por meio da irmã e de uma ligação histórica com o contista.
Origens da parceria e influências
O contato inicial ocorreu na Livraria do Chain, ponto de encontro frequente de Trevisan no centro de Curitiba. A livraria fica próxima à Universidade Federal do Paraná, o que favorecia visitas de docentes e estudantes. A partir desse vínculo, Dayse passou a contribuir com relatos que influenciaram contos de Trevisan.
Fabiana Faversani, agente literária do autor, destaca que as histórias trazidas por Dayse ampliaram o universo infantil na obra dele a partir dos anos 1990. Conteúdos de Dayse aparecem em microcontos reeditados recentemente pela editora Todavia.
A autorização para Denise encenar textos de Trevisan veio após a morte do escritor, com a carta de 2012 recebida pela atriz. A peça atual se volta ao conto sobre o cão de estimação do autor e às memórias de Trevisan, em contraste com a imagem pública que gerou ao longo das décadas.
Conteúdo e concepção cênica
A montagem não apenas recorta o luto do escritor, mas também propõe uma leitura mais direta sobre a personalidade de Trevisan por meio de cartas e correspondências. Denise e Maestrini examinizam versões diversas de contos para compreender a busca constante do autor por potência e concisão.
Entre os projetos paralelos, as duas profissionais preparam a direção conjunta da peça Nietzsche, do Cavalo Nada Sabemos, prevista para o Festival d’Avignon, na França. Além disso, há planos para uma comédia sobre inteligência artificial, intitulada Amanhã, associada a Miguel Falabella.
Retorno ao Paraná e parceria futura
Para Alessandra Maestrini, o projeto com Denise marca o retorno ao Paraná, após participação em trabalhos de grande circulação. A diretora enfatiza a imersão no material de Trevisan, inclusive nas correspondências com outros artistas e cronistas, como Otto Lara Resende, Rubem Braga e Poty Lazzarotto.
A dupla planeja seguir ampliando a parceria com novos projetos, que incluem a leitura íntima do universo pessoal de Trevisan, buscando revelar dimensões menos expostas do autor. A estreia da peça está prevista para o segundo semestre deste ano.
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