- Exposição “Por Toda Parte Escreverei o Seu Nome” no Rio de Janeiro, na galeria Anita Schwartz, em cartaz até 13 de junho, celebrando 60 anos de carreira de Luciano Figueiredo e reunindo 30 obras criadas a partir da escala cromática CMYK no pé da página de um jornal francês.
- A série utiliza relevos de cores inspirados no rodapé do jornal, observado pelo artista em Blois, França, e envolve acrílica e jornal sobre madeira.
- O título dialoga com Godard, grande referência do artista, que associa a frase “por toda parte escreverei o seu nome” a leituras de cinema, poesia concreta e tropicalismo.
- A trajetória de Figueiredo junta pintura, poesia, design e música popular de vanguarda; nasceu em Fortaleza, viveu em Salvador, Rio de Janeiro e Blois, e colaborou com Óscar Ramos e Waly Salomão.
- O curador Luiz Chrysostomo ressalta a escala CMYK como conceito técnico determinante para a série, enquanto o artista afirma que a criação dialoga com referências de cinema e com o contexto político brasileiro, sem filiação partidária.
A exposição Por Toda Parte Escreverei o Seu Nome chega ao Rio de Janeiro celebrando 60 anos de carreira de Luciano Figueiredo. São 30 obras criadas a partir da escala cromática do rodapé de um jornal francês, descoberta por acaso pelo artista. A mostra fica até 13 de junho na galeria Anita Schwartz, na Gávea.
O conjunto propõe relevos de cor que dialogam com pintura, jornal e madeira. A ideia surgiu em Blois, França, onde Figueiredo, acompanhado pelo companheiro François Thiolat, observou pela primeira vez a barra colorida CMYK no pé da página. A partir disso, o artista desenvolveu uma série de trabalhos que unem cor, geometria e referências de imprensa cotidiana.
Curador Luiz Chrysostomo explica que a escala CMYK guia a obra, funcionando como um território de experiência para a pintura. O título da mostra remete a Godard, cuja frase inspirou a releitura de uma passagem de Irving Thalberg, segundo o artista. Godard é citado como grande influência da trajetória de Figueiredo.
Sobre a exposição
As peças evidenciam uma trajetória que mescla pintura, poesia, design e música popular de vanguarda. Luciano Figueiredo nasceu em Fortaleza (1948) e viveu no Rio de Janeiro e em Blois. A mostra reforça a prática de usar jornais como suporte e fonte de leitura da cor, repetidamente presente em sua obra desde a década de 1970.
A exposição também destaca a convivência de Figueiredo com a poesia brasileira contemporânea e com figuras da contracultura, como Waly Salomão e Caetano Veloso. O artista cita artistas que influenciaram sua formação, como Dom Sylvester Houédard e a renovação visual de capas de discos. O conjunto enfatiza a visão de que o cotidiano pode produzir linguagem plástica relevante.
Contexto artístico e histórico
Os trabalhos de Luciano articulam pintura, poesia, design e música popular de vanguarda. Nascido no Nordeste, ele reorganizou sua prática ao longo de décadas, mantendo uma relação estreita com a imprensa cotidiana. A mostra enfatiza a ideia de que o que parece trivial — o rodapé de jornal — pode conduzir uma pesquisa plástica rigorosa.
Autenticidade, sutileza e rigor técnico marcam a produção de Figueiredo, que também trabalha com relevos de cor há décadas. A curadoria do projeto reforça a leitura de que a prática artística pode conversar com mídia impressa, cinema e literatura, conectando gerações de creators e vultos da contracultura brasileira.
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