- A sexóloga Luciane Angelo afirma que o desejo feminino é apresentado na literatura como parte da experiência emocional e da autonomia das personagens.
- A matéria aponta cinco títulos brasileiros recentes escritos por mulheres que colocam o desejo em primeiro plano: Tudo é Rio; A Natureza da Mordida; O Caderno Rosa de Lori Lamby; As Fases da Lua; O Corpo Desvelado: Contos Eróticos Brasileiros (1922–2022).
- Em Tudo é Rio, o casal Dalva e Venâncio enfrenta uma tragédia, e a presença de Lucy, uma prostituta magnética, modifica a relação entre eles.
- A Natureza da Mordida aborda a sensualidade de forma psicológica, por meio de memórias, vínculos e afetos que resistem ao tempo.
- O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst, é destacado pela provocação, humor ácido e coexistência de erotismo, crítica social e experimentação.
A sexóloga Luciane Angelo aponta que a literatura brasileira contemporânea escrita por mulheres tem ampliado o tratamento do desejo. Em vez de reduzir a sexualidade a provocação, as obras atuais a colocam como parte da experiência emocional e da autonomia das personagens. O resultado são romances intensos, sensíveis e humanos, que exploram prazer, memória e transformação.
A seleção destaca cinco títulos brasileiros recentes que tratam o desejo com foco narrativo, psicológico e afetivo. As obras apresentam personagens femininas complexas, relações complexas e questionamentos sobre identidade e liberdade. A abordagem é diversa, indo do erotismo implícito à experimentação estética.
Livros que exploram o desejo feminino
Tudo é Rio, de Carla Madeira
Dalva e Venâncio lidam com uma tragédia e uma crise de relacionamento. A entrada de Lucy, figura magnética, redefine a dinâmica entre os protagonistas. A escrita de Madeira combina intensidade emocional com uma linguagem que transita entre amor, ciúme e atração.
A Natureza da Mordida, de Carla Madeira
A autora utiliza uma sensualidade mais psicológica, centrada em memórias, vínculos e afetos. O romance mostra como o desejo permanece presente ao longo do tempo, marcando relações passadas e futuras com nuances sutis.
O Caderno Rosa de Lori Lamby, de Hilda Hilst
Hilst provoca ao explorar erotismo, crítica social e provocação artística. A obra, lançada nos anos 1990, permanece atual na forma única como confronta limites entre sexualidade, poder e expressão literária.
As Fases da Lua, de Giovana Madalosso
A narrativa foca em mulheres que lidam com sexualidade, maternidade e liberdade. O erotismo é apresentado como parte da busca por identidade e autonomia, sem romper com a sensibilidade do cotidiano.
O Corpo Desvelado: Contos Eróticos Brasileiros (1922–2022), organizado por Eliane Robert Moraes
A coletânea reúne textos de diferentes escritoras, oferecendo variadas leituras do desejo. A curadoria percorre desde sugestões delicadas até erotismo explícito, apresentando uma visão plural sobre prazer e corpo.
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