- Estudo analisou doiscentos dois geólogos fictícios presentes em cento e quarenta e um títulos de filmes britânicos ou estadunidenses lançados entre 1919 e 2023, constatando que 32% morreram na narrativa.
- As principais causas de morte foram homicídio (30 casos), mortes por alienígenas (12) e riscos geológicos (12); outras causas incluem acidentes (9) e problemas de saúde (3).
- Na tela, a maioria dos geólogos é retratada como mocinhos, com pouca expressão de humor; as personagens são predominantemente homens brancos, com 11% de mulheres e 21,6% de mulheres desde 1986; a diversidade racial é muito baixa.
- O primeiro geólogo aparece em Two Women, de 1919; o filme com mais geólogos é O Inferno de Dante, de 1997 (sete personagens); há ainda presença em parte de filmes da franquia King Kong (três títulos).
- O estudo aponta evolução na representação ao longo do tempo e sugere que temas como mudanças climáticas podem influenciar futuras imagens de geólogos na cinematografia.
Nos filmes americanos e britânicos, geólogos aparecem com frequência como personagens centrais, muitas vezes ligados aos mocinhos. Um estudo recente analisa 104 anos de cinema para entender como a geologia é retratada e qual o nível de verossimilhança dessas narrativas.
A pesquisa, publicada em Geology Today, reúne 202 geólogos em 141 títulos lançados entre 1919 e 2023. Os autores destacam que 32% dos profissionais de geologia nas telas acabam mortos, com as três causas mais comuns sendo assassinato, riscos geológicos e ataques alienígenas.
O estudo é conduzido por pesquisadores suecos da Universidade de Gotemburgo. A equipe, liderada pelo professor Erik Sturkell, definiu critérios para identificar apenas geólogos na tela, excluindo geocientistas próximos como paleontólogos ou geofísicos.
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O que foi observado
Entre os 202 personagens, 85% são descritos como do bem, e muitos protagonizam atos heróicos. Mortes entre heróis ficam em 26%, dois pontos abaixo da média geral. O papel do vilão aumenta o risco de morte, com 23 de 30 geólogos malignos mortos.
A principal causa de óbito entre geólogos da ficção continua sendo o homicídio, seguido por mortes provocadas por fatores alienígenas e por riscos geológicos reais, como desabamentos e armadilhas. Filmes de origem britânica e norte-americana concentram a maior parte dos casos.
O levantamento aponta ainda questões de representatividade. Enquanto 31,5% dos membros da Sociedade Geológica de Londres são mulheres, apenas 11% dos geólogos nas telas são mulheres, número que sobe para 21,6% em filmes a partir de 1986. Em termos étnicos, seis dos 202 geólogos não são brancos, com apenas uma mulher negra entre eles.
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Perspectivas futuras
Segundo os autores, a narrativa de geólogos no cinema tende a acompanhar grandes temas históricos, desde prospecções de minerais até desastres naturais. Eles sugerem que futuras produções podem incorporar as inquietações climáticas, como demonstrado em obras recentes.
Os pesquisadores observam que a grande parte dos geólogos cinematográficos opera como personagem de ação, com pouco humor, e que a profissão costuma ser associada a aventuras e riscos. O estudo ressalta a evolução gradual da representação ao longo de décadas, mantendo o foco em decisões rápidas e situações extremas.
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