- Ian McEwan lança o romance O que Podemos Saber, ambientado em 2119, com o personagem Tom, pesquisador de história da literatura.
- A trama acompanha uma Terra afetada pela crise climática, o Desarranjo, com inundações, guerras e o desaparecimento de metrópoles; a pista central envolve um poema mítico de Francis Blundy.
- O livro aborda memória, biografias e a luta para entender o passado, inclusive ao tratar de Alzheimer e da identidade do fazedor de violinos Percy Greene.
- McEwan aponta pessimismo cultural global, mas também cita projetos otimistas, como a restauração da vida selvagem no Reino Unido.
- Sobre inteligência artificial, o autor vê a IA como um eventual oráculo no romance, critica sua produção de prosa e afirma não utilizá-la, destacando a importância da literatura e da experiência humana.
Ian McEwan lança o romance O que Podemos Saber, ambientado em 2119, em que um pesquisador de literatura investiga a vida de um poeta desaparecido. A obra questiona como o passado é entendido e reconstruído frente a crises climáticas e sociais.
O livro, publicado pela Companhia das Letras e distribuído pelo clube de assinaturas TAG Livros, acompanha Tom, historiador da literatura que estuda o período 1990–2030. O cenário inclui uma inundação catastrófica e guerras resultantes, que marcam o mundo do futuro.
Tom investiga o paradeiro de Francis Blundy, poeta cujos versos defendem o meio ambiente. A busca é entrelaçada com a luta pela memória de Vivien Blundy, esposa de Blundy, e com a queda de várias metrópoles. O enredo revela que a verdade tem várias camadas.
A narrativa aponta uma ruptura entre avanços tecnológicos e a escassez de recursos. McEwan sugere que a tecnologia é inevitável, mas não resolve a fragilidade da memória e da identidade humana diante de perdas históricas.
Reflexões sobre o tempo, a memória e a ciência
O autor discute a distância entre o que a pesquisa revela e o que a realidade mostra. O romance funciona como biografia cruzada, examinando o que podemos saber sobre o passado, o presente e o outro.
Para McEwan, a ficção científica pode dialogar com a história. O livro analisa como a memória individual e coletiva molda a compreensão do presente e do futuro, especialmente em tempos de Desarranjo climático.
Inteligência artificial e protagonismo humano
O texto aborda a IA como um tipo de oráculo para orientar as pessoas. McEwan observa que a IA ainda não vive no corpo humano e, por isso, não experimenta dor, amor ou perda de forma real. Mesmo assim, a IA influencia escolhas e relações.
O escritor aponta que a IA atual produz Prosa mediocr, sem a experiência humana. Ele questiona até onde a tecnologia pode substituir a curiosidade e a invenção humanas no longo prazo.
Sobre o futuro da arte e a poesia
O livro contrapõe a prosa e a poesia. McEwan sustenta que a poesia permanece a forma mais aguda de captar o instante e a verdade subjetiva. A prosa, por sua vez, permite explorar identidades em compasso mais longo.
O autor revela uma visão ambivalente sobre o futuro: a humanidade enfrentará catástrofes, mas também poderá encontrar caminhos de restauração ambiental e social. O tom é de cautela, porém com expectativas de sobrevivência.
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