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Tom Ripley, 1,8 mil páginas depois, permanece um dos maiores vilões da ficção

Tom Ripley, vilão fascinante e complexo, permanece relevante setenta anos após O talentoso Ripley, com relançamento no Brasil e série da Netflix

Andrew Scott é Tom Ripley em 'Ripley', nova série da Netflix.
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  • Tom Ripley é apresentado como um dos vilões mais fascinantes da literatura, personagem de Patricia Highsmith que desperta ambiguidade entre amor e repulsa.
  • A obra acompanha a trajetória do antiherói em uma sequência de cinco livros, iniciando com O talentoso Ripley (1955); a Intrínseca relançou a série no Brasil com novas capas.
  • Os títulos, na ordem, são: O talentoso Ripley, Ripley Subterrâneo, O Jogo de Ripley, O garoto que seguiu Ripley e Ripley debaixo d’água (último, de 1991).
  • A popularidade do personagem ganhou novas versões em adaptações, como a série da Netflix Ripley, com Andrew Scott, e o filme com Matt Damon; a obra é debatida pela sua evolução e envelhecimento ao longo do tempo.
  • O texto destaca o fascínio por vilões complexos, comparando Ripley a figuras como Sauron, Voldemort e Hannibal Lecter; comenta que a curiosidade sobre vilões perdura, com referências a Moby Dick, e sugere a vontade de um sexto livro.

Tom Ripley atravessa a ficção de Patricia Highsmith como uma presença que não passa — 1,8 mil páginas depois, o vilão permanece fascinante. A figura, embora criada, parece ter vida fora das páginas, em uma França onde a curiosidade sobre suas fraquezas cresce a cada passagem.

A reportagem acompanha o mergulho em cinco volumes que moldaram Ripley. Do iníco em O talentoso Ripley, ao impacto de adaptações, o personagem desperta fascínio pelo carisma e pela perversa engenharia social que o sustenta.

O relançamento no Brasil, em comemoração aos 70 anos da obra, impulsionado pela Intrínseca, reuniu as obras em novas edições. A ordem é: Ripley Subterrâneo, O jogo de Ripley, O garoto que seguiu Ripley e Ripley debaixo d’água, encerrando em 1991.

Em adaptações, o vilão é lembrado por Matt Damon no cinema e por uma série da Netflix em preto e branco. A estrutura da obra mostra Ripley, manipulador e sedutor, que se beneficia de um mundo que não percebe o que ocorre nos bastidores.

Complexidade do antagonista

Em Villeperce, Ripley consulta uma IA sobre grandes vilões da literatura e encontra respostas que situam Sauron, Voldemort e outros no hall de nomes emblemáticos. A cada resposta, a narrativa revela a ambiguidade do personagem: ele é tão perigoso quanto cativante.

A leitura dos cinco volumes revela um retrato de Narciso: rosto atraente, humor sombrio e uma sede de controle que ultrapassa a criminalidade clássica. O envolvimento com os personagens o coloca em situações cada vez mais ambíguas.

A partir de O talentoso Ripley, a série mostra evolução de Ripley em diferentes cenários — Nova York, Paris e Londres — sempre com um olhar atento aos mecanismos de engaño, manipulação e fuga.

Ao fechar o computador, Ripley encara a pergunta sobre vilões. A curiosidade o leva a buscar Reeves Minot e um amigo comum na França, sugerindo que a história pode ganhar novas páginas.

Com 1,8 mil páginas, a obra permanece viva para leitores e fãs de adaptações. O personagem, embora ficcional, desperta leitores a reconhecer traços de pessoas reais que habitam o mundo contemporâneo.

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