- Oksana Zabuzhko, considerada a maior voz da literatura ucraniana, concedeu entrevista a VEJA sobre seu livro recém-lançado no Brasil.
- Pesquisa de Campo sobre o Sexo Ucraniano saiu no Brasil pela editora Carambaia, em tradução de Emilio Gaudeda.
- A obra, com menos de 200 páginas, mescla romance, política e imigração, centrando-se em uma relação amorosa e no contexto da Ucrânia sob regime soviético.
- Zabuzhko revela que já recebeu relatos de leitoras que disseram “obrigada, seu livro me salvou do suicídio”; também comenta a nova vulnerabilidade entre leitoras jovens diante da revolução digital.
- Em posfácio, a autora afirma que preferiria um mundo melhor, governado pelo amor, e reflete sobre o papel do escritor frente à história e à cultura como forma de presença global.
O livro Pesquisa de Campo sobre o Sexo Ucraniano, de Oksana Zabuzhko, chega ao Brasil pela editora Carambaia, em tradução de Emilio Gaudeda. A obra, publicada originalmente em 1996, é apresentada como uma das vozes mais relevantes da literatura ucraniana contemporânea.
Trata-se de um romance que aproxima romance, política e história da Ucrânia. O enredo acompanha a relação entre uma poeta e seu parceiro, em meio a um cenário de exílio, conflitos amorosos e a busca por liberdade sob o regime soviético.
A autora, hoje aos 65 anos, está pela primeira vez publicada no Brasil. Para a entrevista concedida a VEJA, Zabuzhko enfatiza a ideia de que a voz literária pode transcender a própria narrativa e atuar como ponte entre o humano e o político.
Segundo a edição brasileira, o livro demonstra como a literatura pode refletir a vida cotidiana enquanto carrega temas de resistência nacional. A obra utiliza uma linguagem fluida, com longas frases e travessões que cruzam pensamento, diálogo e memória histórica.
No posfácio, Zabuzhko comenta que, mesmo diante de guerras recentes e do retorno de regimes autoritários, prefere que o mundo seja lembrado por livros que ajudam a compreender a humanidade. Ela relaciona a experiência de leitura ao esforço de preservar a identidade cultural.
A autora afirma que leitores relatam ter se salvado pelo conteúdo de seu livro, incluindo relatos de jovens adolescentes que enfrentam dificuldades amorosas. Zabuzhko destaca que a literatura tem o poder de oferecer refúgio e compreender traços da história.
Contexto e leitura
A entrevista explora a ideia da “sina da inexistência ucraniana” e a relação entre invasões russas e visibilidade global. Segundo Zabuzhko, a resposta internacional à resistência ucraniana mostrou que a notoriedade pode contribuir para a segurança de um país.
Ela também discute a dimensão política do amor, defendendo que relações humanas carregam marcas da história maior. A autora afirma que há uma leitura do político em planos íntimos e cotidianos, o que é uma de suas assinaturas literárias.
Sobre o papel do escritor, Zabuzhko afirma que a criação de mundos é um ideal, mas que toda arte é uma interpretação. Ela ressalta a importância da voz do autor como elemento único, que nem a inteligência artificial consegue reproduzir.
A obra permanece, segundo a autora, como um elo entre vida e ficção, onde a marca pessoal do escritor sustenta a qualidade de um livro mesmo diante de um universo literário em expansão.
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