- Em 1865, Tomás e o filho Liam mapeiam uma península irlandesa devolvendo nomes e marcas de devastação da fome, a serviço dos ingleses.
- Tomás encontra um poço antigo e, ao beber sua água, torna-se falante e afetuoso, dando-se a abandonar o trabalho para os ingleses; Liam precisa contê-lo e levá-lo de volta à família.
- A família — Phina, Enda, Rose e o filho ainda por nascer Eugene — é o centro da narrativa, entrelaçando a história com a lenda do poço mágico e elementos da mitologia celta.
- A obra se apresenta como mistura de fábula, história e saga familiar, com foco no papel do seanchaí e na tradição de contar histórias, com recursos como contos dentro da narrativa.
- Os direitos de adaptação de Land já foram adquiridos pela mesma produtora de Hamnet, com cenas que lembram a linguagem de roteiro e a possível transformação em filme épico.
Land de Maggie O’Farrell, romance ambicioso, mergulha na Irlanda pós fome para contar uma saga de duas gerações, entrelaçada com mitos. A narrativa parte em 1865, numa península chuvosa, e cruza Dublin, Roma, Quebec e Kerala.
A história acompanha Tomás e seu filho Liam, que operam com trenas e poles de agrimensura. O objetivo é mapear lugares com precisão, registrando também marcas da fome, mesmo diante da pressão dos cientistas ingleses que financiam o trabalho.
Tomás, sobrevivente da fome, encara conflitos com autoridades coloniais. Ele busca preservar toponímia e memórias locais, ainda que as assinaturas dos red coats apareçam nos seus mapas. A composição chama atenção para o peso histórico do território.
O encontro com a fonte e as consequências
Em um promontório, Tomás descobre um lugar esquecido, junto a um poço antigo. Ao beber da água, ele se transforma: passa a ser falante, afetuoso e resistente ao modo de trabalhar para os ingleses. Liam precisa contê-lo para evitar danos aos seus registros.
A partir desse ponto, a família — Phina, esposa de Tomás, e as filhas Enda e Rose — entrelaça-se à revelação de um segredo ancestral, ligado ao poço e a uma narrativa mítica. Eugene, filho ainda por nascer, encerra a trama ao final.
Estrutura e linguagem
O livro estreia com a palavra seanchaí, definindo o papel da narradora como guardiã de tradição. A obra mistura fábula e realismo, com momentos de ênfase em episódios e ocorrências aparentemente fatídicas. A passagem do tempo varia em velocidade ao longo da leitura.
A voz do romance é menos dialogada, com grande parte do falado sendo relatado indiretamente. Isso torna a leitura densa e favorece a narração, mas pode dificultar o pleno desenvolvimento de todos os personagens e a percepção de causalidade entre os acontecimentos.
Adaptação para o cinema e avaliação crítica
Maggie O’Farrell já coescreveu o roteiro de Hamnet, indicado a várias premiações, e os direitos de Land já foram adquiridos pela mesma produtora. Algumas cenas parecem descritas de fora, como se o movimento fosse anotado como em um roteiro.
Apesar de não se enquadrar estritamente como romance histórico, nem apenas como saga familiar, Land é visto como uma obra de storytelling tradicional. A expectativa é de que o livro renda uma adaptação cinematográfica épica e visualmente rica.
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