- Em julho de 1992, Rachel Nickell, de 24 anos, foi assassinada em Wimbledon Commons; a vítima foi encontrada com 49 facadas e sinais de agressão sexual, enquanto o filho de dois anos, Alex, era testemunha.
- A área do crime é grande e pública, com buscas iniciais realizadas por mais de quarenta policiais, mas sem evidências conclusivas na época.
- Os investigadores acreditaram que Alex poderia ajudar a identificar o culpado, levando a um intenso controle da imprensa e ao retraimento da família, que acabou se mudando para a França.
- A polícia recorreu a um perfil psicológico de serial killers e investigou Colin Stagg, que foi alvo de cartas manipuladas para confessar; o caso foi encerrado por violação de direitos, sem condenação.
- Em 2002, avanços tecnológicos levaram à identificação de Robert Napper por meio de DNA; Napper foi condenado em 2008, e a família afirma seguir lembrando Nickell sem foco no caso.
No dia 15 de julho de 1992, Rachel Nickell, 24 anos, foi assassinada em Wimbledon Commons, no sudoeste de Londres, enquanto caminhava com o filho Alex Hanscombe, que tinha dois anos. A tragédia ocorreu diante da residência do casal, após a despedida com o pai de Alex. O menino foi o único testemunha direto.
A investigação inicial mobilizou mais de 40 policiais em busca de evidências em uma área de mais de 1.000 acres, com grandes áreas de gramado e mata. Até então, não havia suspeitos definidos e as buscas se estenderam por meses, ampliando a cobertura midiática do caso.
Ao longo dos anos, a polícia apostou no testemunho de Alex para identificar o provável agressor. O menino participou de sessões com psicólogos infantis, enquanto André Hanscombe tentava equilibrar a recuperação do filho com o andamento das apurações.
A força policial seguiu a linha de um perfil ficcional elaborada por um psicólogo forense de destaque na época. Um homem local próximo ao bairro, com histórico de relacionamentos problemáticos, foi apontado como principal suspeito após envio de correspondência encenada para provocar confissão. O caso levou a uma detenção, mas o processo foi anulado por questões de conduta policial.
Em 1993, Colin Stagg foi preso com base nesses métodos de investigação, incluindo uma série de investidas de uma agente disfarçada que buscavam induzir confissão. O processo foi encerrado por falta de provas, e a Metropolitan Police afirmou manter a posição de que o suspeito era culpado.
Análises posteriores, com avanços tecnológicos, apontaram outro caminho. Em 2002, uma coincidência de DNA associou Robert Napper ao crime, além de ligações com novos casos de violência contra mães e filhos na região. Napper já possuía histórico de crimes graves ligados à violência de gênero.
O documentário The Murder of Rachel Nickell, produzido pela Netflix, reúne entrevistas com André, Alex e policiais envolvidos para reconstruir a cobertura mediática intensa e as controvérsias do caso. A obra também aborda a trajetória de Napper até a condenação em 2008.
Ao longo da produção, os envolvidos destacam que a vida de André e Alex mudou após o crime, com anos de distância da imprensa e do processo judicial. Eles mencionam a decisão de manter a memória de Rachel viva, sem buscar retribuição, apenas lembranças da vítima.
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