- Saidiya Hartman, professora da Colúmbia, é conhecida pela prática da “fabricação crítica” e, pela primeira vez, dirige uma obra própria: a performance trisseção Minor Music at the End of the World, que imagina o fim da supremacia branca.
- A montagem é altamente colaborativa, com participação de Arthur Jafa, Precious Okoyomon, Okwui Okpokwasili e André Holland como protagonistas, além de Cameron Rowland como “Attendant of the Archive” e sons de Peter Born.
- A peça já esteve em Veneza, dialogando com o tema da Bienal, In Minor Keys, e foi desenvolvida com apoio da Hartwig Art Foundation e da fundação HAF.
- A origem da performance está no ensaio de 2020 The End of White Supremacy, que responde ao conto The Comet de W. E. B. Du Bois; André Holland ajudou a transformar o ensaio em leitura dramática em palco.
- Hartman aborda limites do arquivo e alertas sobre uso indevido de suas ideias, além de adiantar que seu próximo livro tratará da Revolução Bolchevique e de seus impactos na vida de pessoas negras.
Saidiya Hartman, professora da Universidade de Columbia, inicia pela primeira vez a condução de uma obra própria. Em outubro, estreou Minor Music at the End of the World, uma performance de três movimentos que imagina o fim da supremacia branca. O projeto é colaborativo, reunindo cinema de Arthur Jafa, esculturas de Precious Okoyomon e som de Peter Born.
André Holland e Okwui Okpokwasili atuam como protagonistas, com Cameron Rowland listado como Attendant of the Archive. A encenação teve passagem por Veneza, alinhando-se ao tema central da Bienal, “In Minor Keys”. A equipe também envolve Gavin Brown como galerista e Hartwig Art Foundation como apoiadora.
Origem conceitual e até onde vai a ideia
Hartman afirma que a base é seu ensaio de 2020 The End of White Supremacy, escrito em resposta ao conto The Comet de W. E. B. Du Bois. O texto propõe imaginar um mundo pós-racismo por meio de uma narrativa apocalíptica.
Habilitada pela prática da fabulação crítica, a obra expande o arquivo histórico para além de registros diretos. Hartman descreve o processo como uma orquestra de vozes que ultrapassa a marca de uma visão singular.
Desenvolvimento e processo criativo
A montagem começa com um monólogo de 40 minutos, com Holland como narrador. O segundo movimento traz Dead River, novo texto coescrito com Okpokwasili. O terceiro movimento adapta AGHDRA, de Jafa, explorando o fim do humano e o potencial de Blackness no fim do mundo.
A artista ressalta que a performance não é peça teatral tradicional, mantendo o caráter performativo. Os movimentos combinam escrita, imagem e som para criar uma narrativa instigante e multifacetada.
Reflexões sobre o uso do arquivo
Hartman critica a apropriação inadequada de suas ideias por instituições. Ela cita uma situação na Alemanha que buscou usar a noção de fabulação crítica para justificar um museu colonial. Em resposta, afirma que o arquivo pode ser um espaço de violência.
Ela sustenta que o arquivamento deve ser questionado e reimaginado, evitando uso instrumental que reforce dominação. A autora aponta a importância de manter o arquivo como margem de pesquisa, não como documento de consolidação do poder.
Sobre o próximo livro e temas
Hartman avança que cada obra guarda a pergunta central: como imaginar transformações radicais? Seu novo livro analisa a Revolução Bolchevique e seu impacto sobre a vida de pessoas negras. A autora discute a relação entre estrutura e experiência cotidiana, mantendo o foco na abertura de possibilidades.
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