- Bettina Grossman viveu no Chelsea Hotel, no quarto 503, desde 1972, cobrir todos os alto-falantes com obras e acumulá-las em pilhas que ocupavam várias salas.
- Barrada entrou em 503 e registrou a intensidade da produção; Bettina dormia no corredor, em uma cadeira de jardim, movendo-se com carrinho de compras para levar seus trabalhos.
- A mostra Bettina: Finite Structures está no Glasgow International, com esculturas em mármore, fotografias e uma animação em 8 mm digitalizada pela primeira vez, Penetration of Four Equal Constants by Eight Elements of Progressive Displacement (1975-76).
- Entre as obras também estão Phenomenological New York, com distorções nas reflexões de arranha-céus, e Rencontres Psychic, uma série de autorretratos; Bettina nasceu em 1927, no Brooklyn.
- Bettina faleceu em 2021, aos 94 anos; ganhou reconhecimento tardio e teve parte de seu acervo exibido no MoMA PS1 pouco antes, com avanços de catalogação em curso.
Bettina Grossman, artista recluída, viveu 50 anos no Chelsea Hotel, em Nova York, coberta de obras em cada superfície. Agora, sua produção ocupa 503 do hotel e chega a Glasgow em exibição inédita. O conjunto mostra como sua prática ultrapassou o espaço de uma única sala.
Barrada, fotógrafa e artista, editou o livro Bettina com Gregor Huber. Ela descreve a entrada em 503 como cruzar um mundo diferente, onde 40 anos de criação se acumulam em paredes, caixas e objetos. Bettina só abriu a porta para poucos.
A residência de Bettina começou em 1972, quando se instalou no Chelsea. Durante décadas, ela se tornou quase invisível para o público, guardando obras em catálogos que entravam e saíam com o tempo. O cotidiano era dedicado à arte.
A artista era conhecida por transformar o espaço em um acervo fechado. Quando saía para compras, levava seus trabalhos em um carrinho de supermercado para evitar furtos. Dormia no corredor, cercada por trabalhos empilhados.
A exposição Bettina: Finite Structures integra a Glasgow International. O show traz esculturas de mármore, animação em 8 mm digitalizada e fotografias dos anos 70. Obras novas também são apresentadas pela primeira vez.
Entre as peças estão Penetration of Four Equal Constants by Eight Elements of Progressive Displacement (1975-76), produzida com a ajuda de um físico. A instalação usa um osciloscópio controlado por computador.
Fotografias desenvolvidas na casa de Bettina, incluindo Phenomenological New York, apresentam distorções de reflexos de vidro e aço das torres de Wall Street. Autorretratos ligam as distorções ao corpo feminino.
Bettina nasceu Bettina Grossman em Brooklyn, em 1927, cresceu numa família judia ortodoxa e chegou a ser chamada de Betty. Ela estudou arte comercial e, na França, expandiu técnicas em vidro, mármore e joalheria.
Ao retornar a Nova York em 1966, Bettina passou a explorar a relação entre forma, espaço e padrão. A ideia central envolvia uma dimensão adicional, que chamou de quarto nível no desenvolvimento conceitual.
Um incêndio destruiu seu ateliê, levando tudo o que havia produzido até então. Isso impulsionou seu retorno à Europa e a busca por novas técnicas em mármore, com sinais de renascimento em suas obras.
Após o retorno, Bettina mergulhou em práticas teóricas e diagramáticas, ampliando a relação entre superfície e espaço. A artista instalou-se no Chelsea e criou um conceito de pesquisa noumenológica.
Ao falecer em 2021, aos 94 anos, Bettina recebeu reconhecimento tardenamente. A notoriedade ganhou força com a acreção de Barrada e com exibição no MoMA PS1, antes de Glasgow receber a mostra.
O legado de Bettina permanece em processo de unboxing, documentação e catalogação. O executor da herança, Barrada, e a equipe continuam a desvendar o arquivo e seus segredos, ainda por revelar.
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