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Diretora de Criadas aborda racismo dentro da própria família

Filme Criadas discute racismo na família, explorando afeto e violência, com a casa como personagem e oito anos de pesquisa

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  • Estreou nesta quinta-feira o filme Criadas, da diretora brasileira Carol Rodrigues, que assina o roteiro e aborda racismo a partir de uma história compartilhada por duas mulheres.
  • A trama acompanha as primas Sandra e Mariana, que cresceram na mesma casa em momentos diferentes e reaproximam-se, trazendo memórias e conflitos do passado.
  • A narrativa é baseada em vivências da família da diretora, incluindo a ascensão social da avó que chegou a São Paulo aos 14 anos para trabalhar como empregada doméstica.
  • Na produção, foram mais de oito anos de pesquisa e a locação — escolhida depois de visita a 200 casas — funciona como um “personagem” e influencia a história.
  • A diretora ressalta o foco em colorismo e nas possibilidades de afeto dentro da família, mesmo diante da violência herdada, destacando que o tema é pouco tratado no cinema brasileiro.

Nesta quinta-feira 11, estreou o filme Criadas, dirigido e roteirizado pela brasileira Carol Rodrigues. A obra chega aos cinemas após passagem por festivais nacionais e internacionais, abordando o racismo no Brasil a partir de uma história compartilhada por duas primas.

Sandra e Mariana, interpretadas por Mawusi Tulani e Ana Flavia Cavalcanti, cresceram na mesma casa, mas ocupavam espaços distintos. Ao se reencontrarem, traumas da infância e ressentimentos aparecem, num drama psicológico que expõe as camadas do preconceito racial.

A diretora explicou que a história é baseada em vivências da própria família. O enredo acompanha a trajetória de uma avó que chegou a São Paulo aos 14 anos para trabalhar como empregada doméstica e, com o tempo, integrou primas ao espaço familiar, gerando tensões relevantes para o entendimento do tema.

O filme teve produção longa, com mais de oito anos de pesquisa. Um aspecto marcante foi a escolha de locação: foram visitadas cerca de 200 casas para definir onde a narrativa aconteceria, e o espaço funciona quase como um segundo personagem, influenciando as transformações entre as protagonistas.

Segundo Rodrigues, a casa abriga memórias que ajudam a moldar a identidade das personagens e a sublinhar a relação entre afeto e violência herdada. O desafio de tratar um tema sensível no cinema brasileiro foi visto como oportuno, especialmente por lidar com o colorismo, um entrave ainda presente em algumas famílias negras.

Mesmo diante das dificuldades, a diretora afirma que o filme chega em um momento adequado, buscando ampliar o debate sobre racismo estrutural no país sem abrir mão da qualidade dramática e da busca por soluções que mantenham as famílias unidas.

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