- Katie Kitamura virá à Flip, em Paraty, de 22 a 26 de julho, como uma das convidadas de destaque, promovendo o romance Audição pela editora Fósforo.
- Audição acompanha uma atriz na casa dos cinquenta, casada há décadas, em duas narrativas paralelas: uma em que um jovem diz ser filho dela; outra em que esse jovem é de fato reconhecido.
- A autora afirma que o livro pode ser lido de várias maneiras, promovendo leitura do público e sugerindo um “teste de Rorschach” para identificar o que cada leitor enxerga.
- A inspiração vem de obras como Rosemary’s Baby, explorando temas como desorientação, gaslighting e a percepção da maternidade e das relações.
- Kitamura leciona na Universidade de Nova York e já publicou Um separação no Brasil; a obra privilegia economia de informações sobre as personagens.
Katie Kitamura, autora norte-americana de origem nippo-americana, virá ao Brasil como uma das convidadas da Flip 2026. O romance Audição ganhou destaque internacional, com indicações a Booker e Pulitzer, consolidando a autora como uma das vozes mais comentadas da atualidade literária.
A obra acompanha uma atriz na faixa dos 50 anos, casada há décadas. No enredo, duas linhas narrativas se desenvolvem de forma quase paralela: uma jovem mulher afirma que um rapaz pode ser o filho que ela desconhece ter tido; em seguida, revela-se que ele é, de fato, fruto de uma relação reconhecida. As trajetórias se entrelaçam de modo ambíguo, gerando perguntas sobre verdade e ficção.
Kitamura descreve Audição como um experimento de leitura, no qual o leitor pode interpretar a história de várias maneiras. A autora afirma ter criado um romance que estimula diferentes leituras, sem uma única solução predefinida, valorizando a participação do público na construção do significado.
Além de trechos do romance, a autora também reflete sobre referências literárias que a inspiraram, incluindo a obra de Rosemary’s Baby, de Ira Levin. A atmosfera de desorientação e o tema do gaslighting aparecem como motores da narrativa, conforme a escritora aponta que esse tipo de dinâmica pode ocorrer mesmo em relações próximas.
Em entrevistas, Kitamura explica que a fluidez entre vida pessoal e artísticas é um tema recorrente em seu trabalho. Ela, que atua como professora de escrita criativa na Universidade de Nova York, mergulha na ideia de que as identidades são formuladas por performances, e não por uma biografia linear.
Audição já circula entre leitores como uma leitura que pode remeter ao questionamento sobre maternidade, relações familiares e a percepção de pessoas conhecidas sob uma luz estranha. A autora descreve que esse estranhamento é uma das sensações centrais que interessam à sua escrita, ao explorar a dúvida sobre o que é real.
Na Flip, a autora desembarca em meio a outros lançamentos da editora responsável, que também planeja trazer novas obras para o próximo semestre. O evento ocorre entre 22 e 26 de julho, em Paraty, reunindo leitores, críticos e profissionais do setor para debates, lançamentos e sessões de leitura.
Fatos e leituras indicam que Audição se vale da economia de informações sobre as personagens, privilegiando a experiência de leitura em vez de dados biográficos explícitos. Essa escolha crítica reforça o foco na experiência emocional, na interpretação e no impacto que a narrativa provoca no leitor.
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