- M John Harrison, aos 80 anos, lança o romance The End of Everything, sobre uma Grã-Bretanha em desintegração dominada pelos iGhetti, formas de vida poderosas e enigmáticas.
- Os iGhetti têm origem e propósito obscuros; o livro evita revelar o que eles pensam, parecendo uma evasão alienígena mais do que invasão.
- O autor afirma que, se encontrássemos um alien real, não teríamos noção do que eles “pensam” ou por que agem, e isso precisa chegar ao leitor.
- A obra marca um retorno criativo após fases desafiadoras, influenciado por conselhos de Iain Banks para buscar mais diversão na escrita.
- A carreira de Harrison é marcada por mudanças de estilo e prêmios, como o Goldsmiths prize por The Sunken Land Begins to Rise Again, com obras importantes como Climbers e The New Rays.
M John Harrison, renomado escritor britânico de ficção científica, aproxima-se de publicar The End of Everything, seu 13º romance. A obra descreve uma Grã-Bretanha à beira do colapso, dominada por formas de vida chamadas iGhetti, cujas origens e propósitos permanecem obscuros. O livro evita revelar detalhes sobre seus personagens, priorizando o ponto de vista da narrativa.
A história gira em torno de uma possível colonização ou invasão silenciosa, com o uso de uma visão ambígua sobre as intenções das entidades. Autoridades tentam respostas por meio de ações militares de baixo impacto, mas a voz do romance indica que o verdadeiro mistério reside na percepção humana sobre o que é real. Harrison discorre sobre a dificuldade de transmitir a pergunta central sem entregar a resposta.
Nascido em Rugby, em 1945, Harrison construiu uma carreira marcada por revisões de gênero e buscas por voz própria. O escritor comenta, em entrevista realizada em Barnes, Londres, como o trabalho recente representa a maturidade de uma trajetória que começou no início dos anos 1960, com influência de editoras e colegas do movimento de ficção especulativa.
Jornada e referências
O percurso de Harrison inclui encontros-chave com figuras da cena literária, como Iain Banks, que o influenciou a retornar a temas de ficção científica. Ao longo das décadas, o autor experimentou formatos e técnicas, abrindo espaço para narrativas com densidade de observação e senso de lugar. O período de maior produção ocorreu entre o final dos anos 1980 e início dos 1990, quando publicou obras como Climbers e outras que consolidaram sua reputação.
Harrison também descreve uma relação ambígua com a própria criatividade, em que uma voz interna aparece para guiar trechos da narrativa. Apesar das tensões, o escritor manteve a produção constante, inclusive em fases de afastamento da cidade e mudanças de residência. A transição para o interior britânico foi marcada por uma mudança de abordagem e por reconhecimento crítico de seus títulos anteriores.
Prêmios e atualidade
Recentemente, The End of Everything se soma a The Sunken Land Begins to Rise Again, vencedor do Goldsmiths Prize em 2020, reconhecendo o peso literário de Harrison aos 70 e poucos anos. A produção atual reforça a posição do autor como possuidor de uma obra madura, conectada a perguntas epistemológicas e ao espírito de investigação do gênero.
Entre na conversa da comunidade