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Livro de convidada da Flip repensa palavras diante da demência materna

Livro de convidada da Flip usa diários e imagens para investigar demência materna durante a pandemia, conectando memória e identidade da autora argentina

Capa do livro 'Por que São Tão Lindos os Cavalos?', de Julieta Correa
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  • O livro Por que São Tão Lindos os Cavalos?, de Julieta Correa, aborda a demência materna durante a pandemia de Covid-19.
  • A narrativa usa trechos dos diários da mãe de Julieta, Sari, combinando anotações, desenhos, fotos e exames médicos em 19 capítulos curtos.
  • O título e parte da linguagem vêm dessas memórias e questionamentos não respondidos, como “Estamos no fim ou no começo?”.
  • A obra combina testemunho pessoal e experimentação formal, mantendo o foco na relação entre mãe e filha e na tentativa de preservar o presente pela escrita.
  • Julieta Correa participa da programação da Flip de Paraty, usando a escrita como forma de manter acesa a memória diante do quadro de demência da mãe.

Em 2026, Julieta Correa lança o livro de estreia Por que São Tão Lindos os Cavalos?, inspirado no diário da mãe, Sari, que convive com demência durante a pandemia de Covid-19. A obra compõe-se de treze capítulos curtos, extraídos de cadernos, registros médicos e diálogos.

A autora argentina utiliza a escrita para preservar o presente diante do apagamento provocado pela doença. O livro também funciona como uma reflexão sobre memória familiar, tempo e o impacto da saúde mental na relação entre mãe e filha.

A obra é apresentada na programação principal da 24ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), prevista para julho. A narrativa recolhe fragmentos de memórias e observações, buscando ordenar a experiência do isolamento vivido pela família portenha.

Estruturas formais marcam a estratégia de Correa: a mãe, uma artista que desenhava e fotografava, aparece por meio de resumos e anotações, sem a presença constante de uma linha de enredo tradicional. Os trechos enfatizam o tema da língua e da identidade em meio ao desgaste cognitivo.

O título é retirado de um diário de Sari e de uma epígrafe de Eisejuaz, romance da tia Sara Gallardo, que aborda a distância entre língua materna e idioma dominante. A obra, portanto, dialoga com memória, linguagem e pertencimento.

A narrativa alterna vozes, com a presença marcante da primeira pessoa do plural, sinalizando uma comunidade familiar que se encontra em pausa diante da perda de memória. O tom permanece contido, objetivo e técnico, mantendo o foco informativo da reportagem.

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