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Como Saddam Hussein fez filme de estilo hollywoodiano no Iraque com ataques reais

Produção milionária de Clash of Loyalties quase fracassa após incidente com Oliver Reed; lançamento foi limitado e o filme acabou guardado em gavetas

A still of a man riding a horse and holding up a gun in Clash of Loyalties (Credit: Iraqi Film Corporation)
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  • O filme Clash of Loyalties, ligado ao governo de Saddam Hussein, teve orçamento de trinta milhões de dólares e levou três anos para ficar pronto.
  • A produção quase foi interrompida por um incidente envolvendo o ator Oliver Reed em um hotel, que quase levou à substituição dele.
  • As filmagens aconteceram perto de Bagdá, enfrentando a guerra Irã-Iraque, deslocamentos de elenco e dificuldade para trazer armas cenográficas pela fronteira com a Turquia.
  • Um episódio envolvendo uma sequência de trem explosivo gerou controvérsia, e houve interrogatórios a membros da equipe pela segurança iraquiana.
  • O filme foi concluído e exibido poucas vezes, ganhou prêmio no Festival de Moscou em 1983, mas acabou guardado e esquecido após sanções da ONU envolvendo o Iraque.

Clash of Loyalties, filme de Saddam Hussein, enfrentou o maior risco durante a produção iniciada em 1980, no deserto próximo a Bagdá. A seu tempo, a invasão do Irã interrompeu as filmagens, mas o episódio mais marcante envolveu o astro Oliver Reed e uma garrafa de vinho.

O produtor iraquiano-britânico Lateif Jorephani contou à BBC, em 2020, que Reed urina em uma garrafa de vinho vazia e pede para ser levada ao lado. Autoridades chegaram a cogitar a remoção do ator, mas Jorephani convenceu a preservação do elenco.

A obra, orçada em cerca de 30 milhões de dólares, exigiu cenários hollywoodianos e centenas de profissionais. Mesmo com a guerra entre Irã e Iraque, as equipes continuaram, buscando manter a ilusão de normalidade.

Desafios e logística

A produção precisou cruzar fronteiras com armas cenográficas de World War One, enfrentando fiscalizações na Turquia que confundiram itens de filmagem com arsenal real. As lanchas seguiram via Grécia, Líbano e Síria, até Bagdá.

Em meio ao conflito, a equipe registrou aeronaves sobrevoando o set e cenas precisando ser retrabalhadas após convocação de soldados locais para o serviço. A logística de props militares também enfrentou atrasos na travessia turca.

Segurança, interrupções e desfecho

Um incidente de segurança envolveu um cinegrafista que recebeu visita dos serviços secretos, suspeitando de valor militar em suas fotos. O autor ficou preso por interrogatório e, posteriormente, liberado ao explicar que estava financiando o projeto de Saddam.

A exibição ocorreu apenas algumas vezes, com estreia no Moscow Film Festival de 1983, recebendo um prêmio. Em seguida, o filme foi guardado em canistras no arsenal de Jorephani, em Surrey.

Legado e contexto

O governo iraquiano pretendia transformar Bagdá em polo mundial de produções, conectando a história da nação a Hollywood. Clash of Loyalties foi apresentado como uma visão do nascimento do Iraque, comparado a uma versão de Lawrence da Arábia.

O projeto permaneceu inédito após a ocupação do Kuwait e as sanções da ONU, em 1990. O filme acabou passando de ambição a apenas uma produção que poucos assistiram, conforme relatos de quem esteve envolvido.

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