Vaticano reconhece 167 vítimas de ataques no Sri Lanka como “testemunhas da fé”
Colombo, Sri Lanka – O Vaticano incluiu os nomes de cento e sessenta e sete fiéis católicos, vítimas de atentados terroristas ocorridos em 2019, no registro de “testemunhas da fé”. A decisão foi anunciada pela Igreja Católica do Sri Lanka nesta segunda-feira (21). Os ataques, inspirados pelo Estado Islâmico, resultaram na morte de mais de 260 pessoas, incluindo cidadãos estrangeiros.
Uma vigília em memória das vítimas foi realizada na igreja de Santo Antônio, um dos locais atacados. O evento contou com a presença de centenas de pessoas de diferentes religiões, incluindo cristãos, budistas, hindus e muçulmanos.
O cardeal Malcolm Ranjith, arcebispo de Colombo, informou que o prefeito do Dicastério para as Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro, reconheceu o heroísmo dos católicos falecidos. A inclusão no catálogo de testemunhas da fé se baseou no contexto de oposição violenta à fé, motivada pelo “ódio à fé” (*odium fidei*).
Em 2023, o Papa Francisco formalizou uma nova categoria de reconhecimento para aqueles que perderam a vida professando a fé católica. Uma comissão especial do Vaticano foi criada para catalogar esses casos, visando destacar as vítimas e prepará-las para o processo de beatificação ou canonização.
Sete vítimas de outras religiões também foram homenageadas durante a cerimônia. Os ataques simultâneos ocorreram em 21 de abril de 2019, atingindo três hotéis frequentados por turistas e três igrejas – duas católicas e uma protestante.
A Igreja Católica do Sri Lanka continua a exigir investigações mais aprofundadas sobre os atentados. Uma entrevista veiculada pela emissora britânica Channel 4 revelou que um homem alegou ter facilitado um encontro entre um grupo extremista local e um alto oficial de inteligência do governo, com o objetivo de gerar instabilidade no país e favorecer a eleição do então presidente Gotabaya Rajapaksa.
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