O escritor Javier Cercas lançou o livro “El loco de Dios en el fin del mundo”, inspirado em sua experiência com o Papa Francisco durante uma viagem à Mongólia em 2023. A obra, publicada poucos dias após a morte do pontífice, explora questões teológicas e a visão de Francisco, que buscou modernizar a Igreja Católica.
Cercas, que se descreve como “ateu, anticlerical e laicista militante”, recebeu acesso total ao Vaticano para discutir temas como a ressurreição e a vida eterna. Ele destacou que, em entrevistas, a política frequentemente ofuscava a dimensão religiosa do Papa. “Ele não era um líder político, não tinha um poder executivo real”, afirmou.
O autor considera que o papado de Francisco não pode ser rotulado como revolucionário, embora tenha abordado temas como o papel das mulheres na Igreja e a aceitação da comunidade LGTBI. “Se ele tivesse chegado onde queria, haveria um cisma”, disse Cercas, ressaltando que Francisco foi um Papa desconfortável para os conservadores.
Sinodalidade e Futuro da Igreja
Cercas acredita que a maior contribuição de Francisco foi a sinodalidade, buscando uma Igreja mais democrática e próxima do cristianismo primitivo. Ele não vê Francisco como um Papa de esquerda ou direita, mas sim alguém que transitou entre essas posições.
Com a morte do Papa, o próximo conclave terá um impacto significativo. Cercas sugere que o novo pontífice pode seguir uma linha moderada ou retroceder em algumas mudanças. “Francisco nomeou quase 80% dos cardeais que votarão”, observou, indicando que a nova liderança pode não se distanciar tanto de sua visão.
O sucesso do livro de Cercas, que se tornou um dos mais vendidos na Feira do Livro de Bogotá, reflete o interesse contínuo pela figura de Francisco. O autor sugere que a Igreja deve modernizar sua comunicação e incorporar um “sentido de humor” para se conectar melhor com o mundo atual.
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