José Israel Vargas, professor emérito da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e ex-ministro da Ciência e Tecnologia, faleceu nesta quinta-feira, 15, aos noventa e sete anos. O velório ocorrerá no saguão do prédio da Reitoria da UFMG.
Nascido em Paracatu, Minas Gerais, em 1928, Vargas formou-se em química pela UFMG e obteve doutorado em ciências nucleares pela Universidade de Cambridge, no Reino Unido. Retornando ao Brasil, atuou como professor e dirigiu o Instituto de Pesquisas Radioativas. Ele foi um dos formuladores da política de energia nuclear brasileira nos anos 1960.
Em 1964, Vargas enfrentou repressão política, tendo seu laboratório tomado e sendo demitido da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). Após um período de sete anos na França, retornou ao Brasil e ocupou cargos importantes, incluindo o de secretário de Ciência e Tecnologia de Minas Gerais e ministro de Ciência e Tecnologia entre 1992 e 1999.
Legado e Reconhecimento
Durante sua gestão como ministro, Vargas coordenou a expansão da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e trabalhou em melhorias no Sistema Nacional da Propriedade Intelectual. Ele também teve uma atuação internacional significativa, sendo membro de comissões da Unesco e presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) de 1991 a 1993.
A ABC destacou que Vargas foi um defensor da energia nuclear e crítico do corporativismo na ciência brasileira. O governo federal, por meio de nota do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, lamentou sua morte, ressaltando sua reconhecida carreira acadêmica e contribuições para as políticas públicas. O Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) também expressou pesar, enfatizando seu compromisso com o avanço da ciência no Brasil.
Vargas deixa três filhas: Maria, Joana e Cláudia. A UFMG e diversas instituições lamentaram sua partida, reconhecendo a importância de seu legado na ciência e na educação pública de qualidade.
Entre na conversa da comunidade