O pastor Pavel Shreider, da Igreja Adventista do Sétimo Dia Verdadeira e Livre Reformada, foi preso no Quirguistão sob acusações de “incitação à inimizade”. Sua igreja não é registrada e, portanto, considerada ilegal no país. A detenção ocorreu em 13 de novembro, quando a polícia secreta o algemou em sua casa, em Bishkek.
Após a prisão, Shreider foi submetido a torturas físicas, incluindo golpes na cabeça e no peito, conforme relatado pelo grupo de direitos humanos Fórum 18. Ele permanece em prisão preventiva e nega todas as acusações. O julgamento está agendado para quinta-feira, e ele pode enfrentar uma pena de seis a sete anos de prisão.
Tortura e Pressão
O pastor, de 65 anos, relatou em uma queixa que foi agredido por cinco policiais que tentaram forçá-lo a confessar crimes que não cometeu. A polícia também pressionou médicos a falsificarem avaliações sobre seu estado de saúde. Um membro da igreja, Igor Tsoy, foi torturado para incriminar Shreider, mas se recusou a fazê-lo.
A defesa do pastor, representada pelo advogado Akmat Alagushev, destacou a falta de evidências concretas nas acusações. “Não há referências a pessoas envolvidas ou provas de ações ilegais”, afirmou Alagushev.
Contexto da Igreja
A Igreja Adventista do Sétimo Dia Verdadeira e Livre Reformada, parte de um movimento que surgiu durante o período soviético, não está registrada no Quirguistão. Desde 2022, as autoridades têm tentado fechar a igreja, buscando justificativas para ações legais. Em 2021, um processo anterior contra membros da igreja foi alegado como parte de uma estratégia para incriminar Shreider.
A família do pastor, que teve acesso a ele na prisão, informou que ele está bem fisicamente e tem permissão para ler a Bíblia e orar. No entanto, as condições de sua detenção e as alegações de tortura levantam preocupações sobre os direitos humanos no país. O Quirguistão é signatário da Convenção das Nações Unidas contra a Tortura, mas a aplicação dessas normas tem sido questionada.
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