O governo da Ucrânia está em processo de banir a Igreja Ortodoxa da Ucrânia (UOC) devido à sua suposta falta de rompimento total com Moscovo. A UOC, que declarou independência da Igreja Ortodoxa Russa em 2022, enfrenta investigações que questionam suas ligações com a Rússia. A medida surge após a proibição da Igreja Ortodoxa Russa, aprovada pelo Parlamento ucraniano, em resposta ao apoio da instituição à invasão russa.
A UOC, liderada pelo Metropolita Onufry, é acusada de não ter realizado as mudanças necessárias em seus documentos administrativos para formalizar a separação. O governo ucraniano considera a UOC uma extensão do estado agressor, afirmando que a igreja não tomou as ações adequadas para se distanciar de Moscovo. O Departamento de Serviço do Estado da Ucrânia em Etno-política e Liberdade de Consciência (DESS) publicou um relatório que reforça essa posição.
Investigação e Consequências
O governo já solicitou ao tribunal a proibição das atividades da UOC, que, se perder, poderá recorrer a instâncias superiores. A decisão pode levar meses para ser finalizada. Além disso, algumas congregações da UOC podem ser impedidas de usar propriedades que não possuem, o que é significativo em um país onde muitos locais históricos são de propriedade estatal.
O advogado da UOC, Robert Amsterdam, defendeu que a igreja já tomou medidas para se distanciar de Moscovo, como a criação de paróquias no exterior para atender refugiados ucranianos. Ele criticou a ação do governo como uma tentativa de eliminar instituições independentes no país. A situação é ainda mais complexa, pois o governo ucraniano também está processando clericais da UOC por suposta colaboração com a Rússia.
Contexto Religioso e Social
Cerca de 70% da população ucraniana se identifica como ortodoxa, mas apenas uma fração se vincula à UOC, que é vista por muitos como parte do Patriarcado de Moscovo. A rival Igreja Ortodoxa da Ucrânia, reconhecida como independente desde 2019, é a que mais atrai fiéis. O DESS enfatizou que a questão não se trata de doutrinas religiosas, mas da afiliação a um estado considerado agressor.
A disputa religiosa tem implicações diretas nas relações internacionais da Ucrânia, especialmente em relação ao apoio dos Estados Unidos. Críticos da lei que proíbe grupos religiosos ligados a Moscovo argumentam que ela pode ser vista como uma repressão à liberdade religiosa. Contudo, a repressão à liberdade religiosa na Ucrânia é amplamente atribuída à ocupação russa, que tem visado diversas comunidades religiosas em áreas sob seu controle.
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