Uma nova onda de violência em Moçambique resultou na morte de mais de 30 cristãos em ataques atribuídos ao grupo Estado Islâmico da Província de Moçambique (ISMP). Os eventos ocorreram entre o fim de setembro e o início de outubro, nas províncias de Cabo Delgado e Nampula. As ações incluem decapitações, tiroteios e incêndios em igrejas e residências.
Os ataques mais recentes se concentraram em localidades como Chiure-Velho, Nacocha, Nacussa e Macomia. O ISMP divulgou cerca de 20 imagens que mostram militantes executando civis e incendiando propriedades. Os moradores relataram que os assaltos ocorreram à noite, com homens armados invadindo casas e sequestrando reféns. Um sobrevivente contou sobre a morte de quatro pessoas e o sequestro de uma mulher e suas duas filhas.
Contexto do Conflito
Desde 2017, Moçambique enfrenta um conflito armado que já resultou em mais de 6.200 mortes e forçou cerca de 1 milhão de pessoas a deixar suas casas. O país ocupa o 37º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2025, que classifica as nações mais perigosas para os cristãos. A situação levou o governo a aumentar a cooperação militar com Ruanda, que mantém tropas na região desde 2021.
A escalada da violência também impactou a economia local, interrompendo projetos bilionários, como o investimento da TotalEnergies em gás natural. Organizações humanitárias, como Médicos Sem Fronteiras, suspenderam atividades em áreas de alto risco e estão focadas em atender os deslocados. A ONU estima que a situação humanitária se agrava, com milhares de pessoas necessitando de assistência urgente.
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