Ilia II, Catholicos-Patriarch da Igreja Ortodoxa da Geórgia, morreu na terça-feira aos 93 anos, após internação por hemorragia interna maciça. A notícia foi confirmada por Metropolitan Shio, líder clerical sênior. O falecimento ocorreu na Geórgia.
Durante quase meio século no poder, Ilia II guiou a igreja da repressão soviética à condição de maior instituição não estatal do país. Sua liderança marcou transformações profundas na sociedade georgiana e na vida religiosa.
Ilia II nasceu Irakli Ghudushauri-Shiolashvili, em 4 de janeiro de 1933, na região do Cáucaso Norte, filho de uma família georgiana. Formou-se em teologia em Moscou e foi ordenado sob o nome Ilia.
A Igreja recebeu status especial em 2002, em acordo com o então presidente Eduard Shevardnadze, com direitos educacionais, de preservação do patrimônio cultural e isenções fiscais. A instituição consolidou influência social.
Ao longo da dissolução da União Soviética, a Igreja tornou-se âncora da identidade georgiana, ocupando espaço central na busca por valores tradicionais. Hoje, a fé ortodoxa é amplamente enraizada no país, segundo pesquisas.
A figura de Ilia II manteve uma visão conservadora em questões sociais, opondo-se ao aborto e classificando a homossexualidade como doença. Em 2013, pediu a banimento de uma marcha pelos direitos LGBTQ, provocando confrontos com ferimentos.
Críticos apontam que o patriarca aproximou-se da Igreja russa, e o tema é sensível em Georgia, país que enfrentou conflito com a Rússia em 2008. Em 2022, Ilia II expressou pesar pela guerra na Ucrânia e pediu cessar-fogo.
Em 2023, diante do debate sobre a influência russa, Ilia II sugeriu reduzir tensões e promover aproximação entre correntes ortodoxas, em meio a vínculos econômicos entre a Geórgia e Moscou.
O Santo Sínodo, órgão de bispos, tem 40 dias para eleger o novo líder. A notícia marca o fim de uma era que moldou a geopolítica religiosa da região.
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