O Papa Leão 14 criticou nesta quinta-feira 16/4 líderes que gastam bilhões em guerras, afirmando que o mundo está sob o domínio de tiranos. A declaração ocorreu durante a visita do pontífice a Camarões, em meio a uma região devastada por insurgentes. O comentário chega dias após uma disputa pública com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que o criticou na rede Truth Social.
Durante a passagem pelo país africano, o líder católico discursou na cidade de Bamenda, na região noroeste, diante de fiéis reunidos em uma catedral. O pontífice afirmou que quem controla recursos rouba para financiar armas, perpetuando um ciclo de desestabilização, violência e atraso. Também ressaltou a necessidade de enfrentar o sofrimento das comunidades locais, enfatizando que a paz deve ser abraçada entre vizinhos.
Leão 14 já havia contestado questões de imigração ligadas à política externa dos EUA, chegando a Mountar divergência com Trump antes da viagem. O Papa não pretende abrir disputa pública com o governo americano, segundo declarou aos jornalistas, mas reiterou o compromisso com a promoção da paz durante a missão africana.
Contexto internacional e reações
Em Camarões, o Papa criticou a atuação de governos que priorizam a guerra e o lucro com conflitos, ressaltando que o dinheiro destinado a destruição poderia ser aplicado em cura, educação e reconstrução. O discurso ocorreu em meio a uma década de violência nas regiões de fala inglesa, palco de confrontos entre insurgentes e forças governamentais, que já deixou milhares de mortos e deslocados.
A arcebispa da Cantuária, Sarah Mullally, manifestou apoio à posição do Papa, elogiando sua convocação por um reino de paz. Nos últimos meses, Trump tem intensificado ataques ao líder religioso, chamando-o de fraco em segurança pública em mensagens publicadas nas redes sociais.
Detalhes da viagem
A agenda de Leão 14 na África inclui 11 escalas em quatro países, destacando a importância estratégica do continente para o catolicismo global. A viagem é a segunda maior do Papa ao exterior desde a eleição ao pontificado, reforçando o papel da Igreja Católica na região, onde mais de 288 milhões de pessoas se identificam como católicas segundo dados de 2024.
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