O papa Leão XIV lançou uma encíclica de aproximadamente 42,3 mil palavras que alerta para os riscos da inteligência artificial e sua aplicação indevida. O documento, apresentado nesta segunda-feira, 25, visa orientar executivos, políticos e cidadãos sobre a proteção da dignidade humana em face da IA.
A encíclica foi anunciada pelo papa ao lado de Christopher Olah, cofundador da Anthropic, como demonstração de diálogo entre liderança religiosa e tecnológica. Leão XIV enfatiza que a tecnologia não é inerentemente antagonista, mas ressalva que a busca por lucro não pode justificar sacrifícios de empregos.
A publicação, assinada formalmente em 15 de maio, marca o aniversário de 135 anos de Rerum Novarum. O texto, intitulado Magnifica Humanitas, defende a atuação humana como componente central na decisão sobre o uso de IA e armas com suporte tecnológico.
Contexto
Entre os temas abordados, estão a regulação governamental das empresas de IA e a proteção de trabalhadores cujos empregos estejam ameaçados. O papa também destaca a necessidade de educação crítica sobre tecnologia e de salvaguardas para crianças expostas a conteúdos gerados por IA.
Leão XIV ressalta a importância de manter o papel social do ser humano, evitando que o desenvolvimento tecnológico reduza indivíduos a instrumentos produtivos. Segundo o pontífice, um desenvolvimento técnico sem inclusão pode criar desemprego estrutural e empobrecimento cultural.
Medidas propostas
O texto recomenda medidas éticas mais rigorosas para armas com IA, mantendo o controle humano em decisões críticas. O papa também defende requalificação profissional e políticas públicas de proteção ao emprego para evitar insegurança social.
Ainda sobre crianças, o documento aponta impactos de uso precoce de dispositivos digitais na atenção, sono e relações. Pais, escolas e governos precisam oferecer apoio para mitigar efeitos nocivos da tecnologia.
Repercussões
Especialistas ponderam o efeito prático da encíclica na indústria de tecnologia. Pontos de vista divergentes aparecem entre acadêmicos e líderes do setor, com muitos avaliando impactos de longo prazo sobre governança e responsabilidade.
A encíclica enfatiza que a Igreja não substitui governos ou empresas, mas oferece fundamentos para promover dignidade, bem comum e desenvolvimento humano. O documento reforça o papel institucional da Cúria e do Vaticano na temática.
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