O Quilombo Urbano Mineiro Pau, em Santa Cruz, RJ, mantém há mais de 150 anos a fogueira de São Pedro, que hoje celebra Xangô no sincretismo. Reuniões acontecem toda segunda-feira, a partir das 17h, em torno do fogo, como símbolo de resistência e memória.
A tradição nasceu com Manoel Caetano Madeira, nascido escravizado em 1841. Ao longo de décadas, a fogueira ganhou função de fortalecimento comunitário, transmissão de saberes e preservação da identidade negra entre moradores do quilombo.
Fausto Manoel Madeira Neto, bisneto de Manoel, é quem hoje sustenta a prática. O fogo passou a integrar o terreiro Umbanda São Pedro e São Paulo – Kabiúna do Sertão e a OSFRJ, geridos por ele e pela família.
Ressignificação
Após a morte de Manoel, em 1946, o filho Fausto manteve a tradição no Rio de Janeiro. Ao entrar na Umbanda, consolidou a continuidade da fogueira, que passou a simbolizar proteção espiritual e legado familiar.
Hoje, Fausto Neto diz que a fogueira é o fundamento do seu terreiro, herdada como responsabilidade de manter a prática viva para as futuras gerações.
Festa
Desde sempre, a celebração envolve festa, danças e devoção. Crianças preparam bandeirinhas, reverenciam Xangô e os santos. A comunidade destaca o pertencimento e o combate ao racismo por meio da cultura.
O compromisso é social: o terreiro promove ações educacionais e distribui cerca de 140 refeições diárias, de segunda a sábado, fortalecendo a solidariedade local.
Programação
A programação do Festejo Junino do Quilombo Mineiro Pau começa às 17h, com entrada gratuita. Dança do Mineiro Pau, jongo, shows locais, comidas típicas e atividades para crianças integram o evento.
A fogueira permanece como marco da memória, da ancestralidade e da resistência cultural, reunindo gerações ao longo de mais de um século.
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