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Rebates atraem investidores no mercado financeiro do Reino Unido

Governo do Reino Unido aumenta taxa de reembolso de medicamentos para 23%, gerando preocupações na indústria farmacêutica sobre investimentos e inovação

Caixas de medicamentos estão dispostas nas prateleiras da farmácia Keencare, membro do Green Light Group, em Londres (Foto: Reprodução)
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  • O governo do Reino Unido aumentou a taxa de reembolso sobre vendas de medicamentos para 23%.
  • A medida gerou tensões com a indústria farmacêutica, que inclui empresas como AstraZeneca e GSK.
  • A Associação da Indústria Farmacêutica Britânica (ABPI) alertou que a mudança pode afetar investimentos e inovações.
  • O secretário de Estado da Saúde, Wes Streeting, abandonou negociações após a ABPI rejeitar uma proposta de taxas mais baixas.
  • A disputa pode resultar em menos lançamentos de novos medicamentos no Reino Unido, complicando os planos do governo de se tornar um líder em ciências da vida.

O governo do Reino Unido anunciou um aumento significativo na taxa de reembolso sobre vendas de medicamentos, que agora chega a 23%, gerando tensões com a indústria farmacêutica. O setor, que inclui gigantes como AstraZeneca e GSK, teme que essa medida impacte negativamente os investimentos e a inovação no país.

Historicamente, o sistema de saúde britânico, o NHS, compra a maior parte dos medicamentos, o que lhe confere um poder de compra considerável. A nova taxa de reembolso foi definida pelo secretário de Estado da Saúde, Wes Streeting, e surpreendeu a indústria, que esperava um aumento mais modesto, em torno de 15%. A Associação da Indústria Farmacêutica Britânica (ABPI) alertou que essa mudança pode colocar “uma pressão real sobre as empresas” e comprometer o crescimento do setor no Reino Unido.

Impactos na Indústria

A ABPI destacou que o NHS já investe apenas 9% de seu orçamento em medicamentos, uma porcentagem inferior à de países como França, Alemanha e Itália. As negociações entre o governo e a indústria se intensificaram, mas Streeting abandonou as conversas após a ABPI rejeitar uma proposta que incluía taxas de reembolso mais baixas para os próximos anos. O secretário afirmou que não permitirá que as grandes farmacêuticas “explorem” os pacientes e os contribuintes.

A tensão entre o governo e as farmacêuticas pode ter consequências econômicas mais amplas. Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, anunciou planos de investir US$ 50 bilhões nos Estados Unidos até 2030, o que levanta preocupações sobre a possibilidade de a empresa mudar sua listagem principal para Nova York. Outros líderes do setor, como John McGinley, da Pfizer, e Doina Ionescu, da Merck, também criticaram o aumento da taxa, considerando-o “incompatível” com as ambições do Reino Unido de se tornar um líder global em ciências da vida.

Desafios Futuros

A situação é ainda mais complicada pela pressão externa, como as demandas do presidente dos EUA, que exigiu cortes nos preços dos medicamentos. Isso pode forçar as empresas a buscar melhores condições com o governo britânico. A incerteza sobre tarifas propostas para importações farmacêuticas nos EUA também pode influenciar as decisões das empresas sobre onde alocar investimentos em pesquisa e desenvolvimento.

A disputa sobre a taxa de reembolso pode resultar em menos lançamentos de novos medicamentos no Reino Unido, um problema já exacerbado pelas diretrizes do Instituto Nacional de Saúde e Excelência em Cuidados (NICE), que avalia o custo-benefício dos novos tratamentos. O governo britânico, que se comprometeu a transformar o país em uma “superpotência em ciências da vida”, enfrenta um cenário desafiador à medida que as tensões com a indústria farmacêutica aumentam.

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