- O livro Dad Brain, da psicóloga Darby Saxbe, analisa como a paternidade transforma o cérebro, identidade e conexões familiares.
- A pesquisa aponta que, embora a paternidade seja biológica opcional, homens que se envolvem mais cuidam melhor dos filhos, com mudanças similares às observadas em mães.
- Há variações culturais sobre o envolvimento dos pais, desde sociedades onde o cuidado é mais compartilhado até aquelas em que homens evitam contato com recém-nascidos.
- O texto discute a divisão de tarefas no dia a dia, destacando que, mesmo com remuneração igual, mulheres costumam assumir a maior parte da carga mental de organização.
- Saxbe defende a paternidade como bem público e a necessidade de políticas públicas que valorizem o cuidado, ressaltando impactos positivos em saúde mental, habilidades sociais e performance escolar das crianças.
Darby Saxbe, psicóloga clínica da Universidade do Sul da Califórnia, lança o livro Dad Brain, que investiga a “nova ciência da paternidade”. A obra reúne 17 capítulos sobre como a paternidade transforma homens, não apenas o cérebro, mas a identidade e o sentido de vida.
O livro sustenta que, embora a paternidade seja biológica e culturalmente distinta da maternidade, ela pode levar a mudanças neurológicas semelhantes em homens que participam ativamente dos cuidados infantis. Saxbe descreve a paternidade como um processo facultativo, com participação que varia por cultura e época.
O eixo central aponta que o envolvimento paterno altera padrões de atenção e eficiência mental. Em paralelo, a autora discute como políticas públicas, expectativas de gênero e equilíbrio trabalho-família influenciam esse processo.
Contexto da pesquisa
A autora compara práticas de diferentes povos, como os Aka, na África Central, onde homens passam mais tempo com crianças, e os Kipsigis, no leste africano, que reduzem o contato nos primeiros dias. A obra também analisa mudanças no modelo de família ao longo do tempo.
O texto destaca que, mesmo com igualdade salarial, a carga mental de organização costuma ficar com a mãe. A obra examina se isso decorre de diferenças biológicas, formação cultural ou ambos, e se o papel do pai é mais de orientação e apoio do que de cuidado direto.
Saxbe aborda ainda a ideia de masculinidades contemporâneas, entre visões “monásticas” e a busca por multiplicidade de filhos. A autora ressalta que, em termos de bem-estar, a qualidade dos relacionamentos é o melhor indicador de felicidade masculina a longo prazo.
Implicações e conclusão
A pesquisadora defende a paternidade como bem público e a necessidade de políticas que incentivem o cuidado compartilhado, como licença parental e apoio à saúde mental perinatal. Ela sustenta que tais medidas beneficiariam famílias e sociedade como um todo.
O livro aponta que filhos com pais mais envolvidos apresentam melhor saúde mental, habilidades sociais e desempenho escolar. Parte da reflexão é sobre como comunidades religiosas, como a igreja, podem apoiar a vocação familiar sem impor modelos rígidos.
Saxbe propõe ampliar a visão moral sobre a paternidade, conectando ciência, políticas públicas e espiritualidade. O objetivo é fortalecer o papel dos homens no cuidado infantil e reduzir estereótipos de gênero, promovendo um ambiente mais equitativo para famílias.
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