- Em 2019, Mari Pompeu, de 43 anos, acompanhava a gravidez da segunda filha enquanto Gabriela, então com 2 anos, recebia diagnóstico de tumor cerebral. Juliana nasceu em março de 2019.
- Quatro dias após o nascimento de Juliana, Gabriela morreu, deixando a família entre alegria pela nova vida e dor pela perda.
- Mari, dentista de formação, diz que o luto começou no momento do laudo médico e que precisou equilibrar a notícia dolorosa com a gravidez.
- Anos depois, surgiu o livro Esperar Nunca Fez Tanto Sentido, em que Mari aborda fé, perda e recomeços para ajudar outras mães que vivem o luto materno.
- Gabriela ensinou a valorizar o presente e os momentos simples; Mari afirma que o vínculo com a filha permanece e que a experiência moldou quem ela é hoje.
Mari Pompeu, de 43 anos, viveu em 2019 uma experiência entre a esperança de uma nova vida e a consequência de uma doença grave da filha mais velha. Gabriela, então com 2 anos, foi diagnosticada com um tumor cerebral, enquanto a mãe acompanhava o tratamento da primogênita e se preparava para a chegada de Juliana, a segunda filha.
A família mineira enfrentou meses de hospitalizações, consultas e tratamentos. Gabriela recebia radioterapia e quimioterapia, em meio à expectativa de cura. Quatro dias após o nascimento de Juliana, Gabriela morreu, deixando Mari em luto e com a missão de seguir em frente ao lado da bebê recém-nascida.
O episódio ficou registrado na trajetória da família e, anos depois, deu origem ao livro Esperar Nunca Fez Tanto Sentido, no qual Mari relata a fé, a perda e os recomeços que vivenciou. A obra funciona como ponte para outras mães que enfrentam o luto materno, segundo a própria autora.
Um diagnóstico inesperado
Os sinais clínicos surgiram de forma discreta. Mari percebeu que Gabriela tinha dificuldade para abrir uma caixinha de cotonetes e andava de forma diferente. Um vídeo enviado a uma colega com residência em neurocirurgia orientou levá-la a um pronto atendimento.
A suspeita de câncer foi confirmada após exames e internações. Enquanto Gabriela recebia tratamento, um bebê crescia no ventre de Mari, que continuou acompanhando a irmã durante a gravidez. O dilema emocional envolvia alegria pela nova vida e dor pela doença da mais velha.
Quatro dias entre a chegada e a partida
Em março de 2019, Juliana nasceu após semanas de incerteza. Quatro dias depois, Gabriela faleceu. Mari descreve aquele período como um encontro de almas, em que a filha mais velha esperou a irmã nascer antes de partir. A cirurgiã-dentista não poupou tempo nem energia para acompanhar tudo, mesmo durante a gestação.
O luto começou antes da perda, quando o diagnóstico ganhou gravidade. Mari ressalta que não havia escolha entre ser mãe de uma filha ou da outra: foi possível estar presente em ambas as fases, mesmo com a dor.
Transformando a dor em palavras
Com o tempo, Mari decidiu transformar a experiência em relato público. A escrevida surgiu como um caminho para compartilhar fé, vínculos fortalecidos e o amor que permaneceu após a perda. A ideia é servir de apoio para mães que vivenciam o luto materno e mostrar que o afeto persiste.
O legado de Gabriela
Olhar para trás reforça a importância de valorizar o presente e os momentos simples. Gabriela ensinou a viver com intensidade, o que motivou Mari a não desperdiçar tempo. Hoje, a mãe acredita que a presença da filha continua de formas invisíveis, sustentando sua vida e decisões.
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