O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior proporção de praticantes de religiões afro-brasileiras, como umbanda e candomblé. Segundo o Censo de 2022, 3,2% da população gaúcha se identifica com essas tradições. Municípios como Cidreira, Rio Grande e Viamão se destacam, com 9,3% de adeptos. Esse percentual é superior ao de […]
O Rio Grande do Sul é o estado brasileiro com a maior proporção de praticantes de religiões afro-brasileiras, como umbanda e candomblé. Segundo o Censo de 2022, 3,2% da população gaúcha se identifica com essas tradições. Municípios como Cidreira, Rio Grande e Viamão se destacam, com 9,3% de adeptos.
Esse percentual é superior ao de estados como Bahia e Rio de Janeiro, que têm 1% e 2,5%, respectivamente. Na capital gaúcha, Porto Alegre, 6,4% da população se declara praticante. Em Viamão, onde a maioria é católica, o número de adeptos de religiões de matriz africana supera o de espíritas.
Interiorização e Reconhecimento Cultural
A interiorização das religiões afro-brasileiras é notável. Em 2010, 3,9 mil cidades não tinham adeptos, enquanto em 2022 esse número caiu para 1,8 mil. O município de Rio Grande é considerado o berço do batuque, uma versão regional do candomblé. Chendler Siqueira, presidente do Conselho Municipal do Povo de Terreiro, destaca a presença dessas comunidades em todos os bairros.
No Mercado Público de Porto Alegre, um marco é o Bará do Mercado, onde se acredita que reside um Orixá. Contudo, as enchentes de 2024 causaram danos significativos, destruindo 254 terreiros e afetando outros 176. O Ilê Nação Oyó, com cerca de 60 anos de história, foi um dos locais atingidos.
Desafios e Preconceitos
Além das dificuldades naturais, o preconceito ainda é um grande desafio. Baba Diba de Iyemonja, presidente do Conselho do Povo de Terreiro, relata que reclamações sobre barulho levam a intervenções da polícia, que muitas vezes são truculentas. Apesar do crescimento das tradições de matriz africana, as religiões neopentecostais também estão em ascensão no estado.
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