- O governo indiano baniu 25 livros na região da Caxemira, alegando que promovem narrativas falsas e secessionismo.
- A proibição foi anunciada pelo Departamento de Segurança Interna e inclui obras de autores como Arundhati Roy e A.G. Noorani.
- A medida ameaça prisão para quem possuir ou comercializar os livros e faz parte de um esforço para controlar a narrativa na região.
- Acadêmicos e líderes locais criticaram a decisão, destacando que a proibição não apagará a história da Caxemira.
- A repressão à liberdade de expressão tem aumentado na Índia, especialmente após a revogação do status especial da Caxemira em 2019.
Autoridades indianas banem 25 livros em Caxemira, alegando promoção de secessionismo
SRINAGAR, Índia — O governo indiano impôs a proibição de 25 livros na região da Caxemira, alegando que as obras promovem narrativas falsas e secessionismo. A decisão, anunciada na terça-feira pelo Departamento de Segurança Interna, ameaça com prisão aqueles que possuírem ou comercializarem os livros, que incluem obras de autores renomados como Arundhati Roy e A.G. Noorani.
A medida é parte de um esforço mais amplo para controlar a narrativa na região, onde a dissidência tem sido cada vez mais criminalizada desde que a Índia revogou o status especial da Caxemira em 2019. O governo local, sob a liderança do Governador Manoj Sinha, é amplamente considerado impotente frente ao controle central de Nova Délhi.
A proibição foi justificada com base em investigações que indicam a disseminação de literatura secessionista disfarçada de comentários históricos ou políticos. O Departamento de Segurança Interna afirmou que esses livros “excitam secessionismo” e “perpetuam a glorificação do terrorismo”.
Reações e Críticas
A decisão gerou forte reação entre acadêmicos e líderes locais. Sumantra Bose, um dos autores banidos, refutou as alegações, afirmando que seu trabalho visa promover a paz e a resolução de conflitos. Ele destacou que a proibição não apagará a história e as memórias vividas pelos habitantes da Caxemira.
Líderes da resistência, como Mirwaiz Umar Farooq, criticaram a incoerência do governo, que promove um festival literário enquanto censura obras significativas. Farooq afirmou que a proibição expõe a insegurança dos responsáveis por tais ações autoritárias.
Contexto de Censura
A proibição de livros não é comum na Índia, mas se alinha a um padrão crescente de repressão à liberdade de expressão sob o governo do Partido Bharatiya Janata. Nos últimos anos, houve um aumento nas operações contra a mídia independente e a reescrita de conteúdos educacionais para refletir uma visão nacionalista hindu.
Desde 2019, a repressão à dissidência em Caxemira se intensificou, com ações policiais frequentes contra livrarias e a apreensão de materiais considerados subversivos. A situação continua a ser um ponto de tensão entre a Índia e o Paquistão, que também reivindica a região.
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