- A Organização das Nações Unidas (ONU) relatou ameaças de morte contra mulheres afegãs que trabalham para a organização.
- As ameaças ocorreram em maio e foram direcionadas a funcionárias da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA).
- Desde a ascensão do Talibã ao poder em agosto de 2021, as restrições aos direitos das mulheres aumentaram, incluindo a proibição de trabalho em ONGs e na ONU.
- O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul Mateen Qani, negou a existência das ameaças e afirmou que há um plano para garantir a segurança das mulheres.
- A ONU implementou medidas de proteção para suas funcionárias devido à gravidade da situação, enquanto outras violações dos direitos das mulheres continuam a ser relatadas em várias províncias do Afeganistão.
ISLAMABAD — A ONU relatou ameaças de morte explícitas contra mulheres afegãs que trabalham para a organização, levando o Talibã a iniciar uma investigação. O relatório, divulgado no último domingo, destaca que essas ameaças ocorreram em maio e foram direcionadas a funcionárias da Missão de Assistência da ONU no Afeganistão (UNAMA).
Desde a ascensão do Talibã ao poder em agosto de 2021, as restrições aos direitos das mulheres aumentaram significativamente. Em dezembro de 2022, o grupo proibiu mulheres de trabalharem em ONGs e, em junho de 2023, estendeu essa proibição para a ONU, ameaçando fechar agências que ainda empregassem mulheres. Apesar disso, algumas mulheres continuam atuando em setores críticos, como saúde e assistência humanitária.
O porta-voz do Ministério do Interior, Abdul Mateen Qani, afirmou que não há registro de tais ameaças e que o ministério possui um plano estratégico para garantir a segurança das mulheres. No entanto, a ONU implementou medidas de proteção para suas funcionárias, considerando a gravidade das ameaças.
Restrições e Liberdades
Além das ameaças, o relatório da ONU também menciona outras violações dos direitos das mulheres no Afeganistão. Em várias províncias, mulheres foram impedidas de acessar áreas públicas e enfrentaram detenções por não cumprirem normas de vestimenta. Em Herat, por exemplo, mulheres foram barradas de mercados por não usarem o chador, enquanto em Uruzgan, algumas foram presas por optarem pelo hijab em vez do burca.
Em Kandahar, o Departamento de Saúde Pública exigiu que trabalhadoras da saúde fossem acompanhadas por um guardião masculino, complicando ainda mais o acesso das mulheres ao trabalho. O processo para obter um cartão de identificação para esses guardiões é descrito como demorado e burocrático.
A situação das mulheres no Afeganistão continua a ser uma preocupação crescente, com a ONU e outras organizações humanitárias denunciando a interferência do Talibã em suas operações, o que agrava ainda mais a crise humanitária no país.
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