- Desde 2016, especialistas alertam sobre abusos espirituais em igrejas evangélicas.
- Recentemente, líderes evangélicos na Espanha lançaram um manifesto pedindo o fim da cultura do silêncio e protocolos contra abusos, com a adesão de 61 igrejas e 144 pastores.
- O manifesto exige a criação de espaços seguros para vítimas e prioriza a justiça em vez da proteção institucional.
- A plataforma Seneca Falls divulga relatos de mulheres que sofreram humilhações e violência em igrejas, incluindo um vídeo que teve mais de 20 mil visualizações no YouTube.
- Movimentos semelhantes estão surgindo em outros países europeus, refletindo um desejo por mudança nas comunidades religiosas.
Casos de abuso espiritual e sexual envolvendo líderes evangélicos estão gerando uma mobilização significativa na Espanha. Desde 2016, especialistas têm alertado sobre esses padrões de abuso, mas a situação se intensificou recentemente com investigações em congregações de Terrassa e Valência.
Em julho, um grupo de líderes evangélicos lançou um manifesto pedindo uma “igreja de integridade”, que já conta com a adesão de 61 igrejas e 144 pastores. O documento exige o fim da cultura do silêncio, a implementação de protocolos contra abusos e a criação de espaços seguros para as vítimas. A declaração enfatiza a necessidade de priorizar a justiça em detrimento da preservação da reputação institucional.
Testemunhos e Apoio
A plataforma Seneca Falls tem divulgado relatos de mulheres que enfrentaram humilhações e violência em diversas igrejas. Um vídeo anônimo de uma jovem, que compartilha sua experiência de um relacionamento abusivo com um pastor, alcançou mais de 20 mil visualizações no YouTube em apenas uma semana. Organizações como a Aliança Evangélica e o grupo La Voz de Agar estão reforçando a necessidade de investigações transparentes e criaram canais de apoio anônimo para as vítimas.
Líderes evangélicos, como Marcos Zapata, presidente da Aliança Evangélica Espanhola, destacam a importância de uma postura de tolerância zero em relação a abusos. Ele afirma que a resposta deve ser empática e focada na restauração das vítimas, não na proteção das instituições. Carolina Bueno, secretária-executiva da Federação de Entidades Religiosas Evangélicas da Espanha, também reconhece que abusos podem ocorrer em qualquer esfera, incluindo a eclesiástica.
Contexto Internacional
Embora o debate sobre abusos nas igrejas evangélicas tenha ganhado força na Espanha, o tema não é novo. Movimentos semelhantes estão emergindo em países como França, Suíça e Itália, enquanto nações com tradição evangélica, como Inglaterra e Alemanha, já possuem estruturas independentes mais consolidadas para lidar com essas questões. A mobilização atual reflete um desejo crescente por mudança e justiça dentro das comunidades religiosas.
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