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Cientistas revelam descoberta das mumificações mais antigas do planeta

Estudo revela que a mumificação por fumaça foi praticada em regiões da China e Sudeste Asiático, com evidências em 11 sítios arqueológicos.

Sepultamento humano em posição fortemente flexionada de um homem de meia-idade em Huiyaotian, Guangxi, sul da China (Foto: Reprodução)
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  • Um estudo recente revelou que a mumificação por fumaça foi praticada no sul da China e no Sudeste Asiático entre doze mil e quatro mil anos atrás, antes das técnicas egípcias.
  • A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou esqueletos de onze sítios arqueológicos na China, Vietnã e Indonésia.
  • Os corpos estavam frequentemente em posição agachada, com membros atados e apresentavam marcas escuras, indicando exposição à fumaça.
  • A mumificação envolvia amarrar os corpos em posição fetal e expô-los à fumaça de fogueiras por longos períodos, ajudando a retirar a umidade.
  • As descobertas sugerem que caçadores-coletores tinham crenças sofisticadas sobre a vida após a morte e que práticas semelhantes ainda existem em comunidades contemporâneas na Papua, Indonésia.

Um estudo recente revelou que a mumificação por fumaça foi praticada no sul da China e no Sudeste Asiático entre 12 mil e 4 mil anos atrás, muito antes das conhecidas técnicas egípcias. A pesquisa, publicada na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences*, analisou esqueletos encontrados em 11 sítios arqueológicos em países como China, Vietnã e Indonésia.

Os pesquisadores identificaram que os corpos estavam frequentemente em posição agachada, com membros atados, e apresentavam marcas escuras, indicando exposição à fumaça. Técnicas modernas, como difração de raios X, confirmaram que 84% dos ossos analisados mostravam alterações típicas de exposição a calor de baixa intensidade, diferente do que ocorre em cremações.

Práticas Antigas

A mumificação por fumaça envolvia amarrar os corpos em posição fetal e expô-los à fumaça de fogueiras por longos períodos, ajudando a retirar a umidade e retardar a decomposição. Após esse processo, que poderia durar até três meses, os corpos eram enterrados em cavernas ou sambaquis. Os pesquisadores sugerem que essa prática não apenas tinha uma função prática, mas também um significado cultural profundo.

A Dra. Hsiao-chun Hung, da Universidade Nacional da Austrália, destacou que essa tradição reflete um desejo humano atemporal de manter os entes queridos “juntos” para sempre. As descobertas também indicam que os caçadores-coletores possuíam sistemas complexos para lidar com os mortos, revelando crenças sofisticadas sobre a vida após a morte.

Conexões Culturais

Essas práticas de mumificação têm paralelos em tradições contemporâneas, como as observadas em comunidades da Papua, Indonésia, que ainda utilizam métodos semelhantes. Em 2019, a equipe de pesquisa documentou múmias fumegadas preservadas por comunidades Dani e Pumo, reforçando a continuidade cultural entre rituais pré-históricos e práticas atuais.

Os pesquisadores planejam investigar sepultamentos ainda mais antigos, datados de até 20 mil anos, para verificar a continuidade dessas tradições. O estudo não apenas amplia o entendimento sobre práticas funerárias antigas, mas também revela a profundidade das crenças espirituais que moldaram sociedades pré-históricas no Sudeste Asiático.

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