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Filósofo que trouxe Deus de volta à universidade é apresentado

Filósofo Alvin Plantinga reafirma que crer pode ser racional, reacendendo o debate acadêmico ao contestar o ateísmo universitário.

Alvin Plantinga: um dos responsáveis pelo renascimento da filosofia cristã nas universidades. (Foto: Jonathunder/Creative Commons)
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  • Alvin Plantinga recebeu o Prêmio Templeton em 2017 e declarou que crer pode ser racional, não apenas consolo emocional.
  • O filósofo Yoram Hazony afirma que a trajetória de Plantinga levou a crença em Deus a voltar a ser uma possibilidade acadêmica.
  • Plantinga defende que a fé cristã pode ser tratada como racional, com atuação acadêmica em Calvin College e Universidade de Notre Dame.
  • Seu destaque é o Argumento Evolucionista Contra o Naturalismo (EAAN), que questiona a confiabilidade das próprias crenças sob evolução e naturalismo.
  • A partir de sua visão, a discussão filosófica passa a incluir não apenas a existência de Deus, mas as condições de confiabilidade da razão humana.

Alvin Plantinga, filósofo conhecido por defender a racionalidade da fé, ganhou destaque ao receber o Prêmio Templeton em 2017. Ao subir ao palco, reconheceu que não tem se declarado progressos exponenciais na religião, mantendo-se cristão reformado. A fala sintetiza uma trajetória que defende a crença como opção racional.

Segundo o filósofo israelense Yoram Hazony, a obra de Plantinga devolveu a crença em Deus ao espaço acadêmico, antes dominado pelo ateísmo. Sua atuação é creditada por reabrir o debate sobre fé, integrando-a a uma tradição filosófica. Plantinga atuou em instituições como o Calvin College e a Universidade de Notre Dame.

Plantinga situa seu trabalho entre a tradição aristotélica e o diagnóstico de Nietzsche sobre a falta de fundamento divino na modernidade. Aristóteles descreve Deus como o Primeiro Motor Imóvel, razão da ordem do mundo. Nietzsche, por sua vez, afirmou que “Deus está morto”, apontando consequências morais da ausência de divindade.

O cristão que lia Platão

Nascido em Ann Arbor, Michigan, Plantinga cresceu em ambiente intelectual. O pai, Cornelius Plantinga Sr., filósofo, lia Platão com o filho desde a adolescência. Aos 16, já estudava em Harvard, transferindo-se depois para o Calvin College, atraído pelo professor Jellema.

Plantinga defende que exigir provas para toda crença é incoerente. Propõe que a crença em Deus pode ser apropriadamente básica por meio do *sensus divinitatis*, conceito calvinino de uma consciência inata de Deus. Essa predisposição explicaria crenças sem necessidade de argumentos formais.

O argumento evolucionista contra o naturalismo

O ponto central de sua obra é o Argumento Evolucionista Contra o Naturalismo (EAAN). Se a evolução favorece a sobrevivência e o naturalismo afirma apenas o mundo físico, a confiabilidade das próprias crenças fica em dúvida. Isso colocaria em xeque a validade do naturalismo.

Críticos afirmam que a evolução pode favorecer faculdades que apontam para a verdade, ainda que não sejam perfeitas. Plantinga admite que a percepção prática funciona para tarefas imediatas, mas sustenta que crenças sobre causalidade, existência de outras mentes e a estrutura da realidade não estão conectadas à sobrevivência.

Plantinga, hoje aposentado em Grand Rapids, continua influente no debate entre fé e racionalidade. Sua contribuição não fecha o tema, apenas inaugura uma nova etapa: questionar as condições sob as quais confiamos na nossa própria razão, dentro de uma argumentação filosófica mais ampla.

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