- A Lifeway Research aponta que pastores e fiéis veem a inteligência artificial com cautela, com uso ainda incipiente, mas presente nas práticas religiosas.
- Na prática pastoral, 10% dos pastores afirmam usar IA regularmente, 32% testam a tecnologia, 18% evitam ou ignoram e 18% preferem aguardar exemplos concretos.
- A adoção é maior entre jovens, urbanos, com mais escolaridade e em igrejas de maior porte: 40% dos pastores de 18 a 44 anos e 37% dos de 45 a 54 anos estão experimentando; apenas 23% dos com 65 anos ou mais utilizam.
- As maiores preocupações envolvem confiabilidade das informações geradas (84%), dificuldade de assegurar fontes confiáveis (81%), possíveis vieses (76%), revelação do uso (62%), risco de plágio (59%) e a ideia de que Deus sempre falou por meio de pessoas, não pela IA (55%).
- Entre os frequentadores, 61% estão apreensivos quanto à influência da IA no cristianismo; evangélicos manifestam mais preocupação (67%) do que não evangélicos (55%).
A Lifeway Research divulgou um levantamento sobre a percepção de pastores e fiéis sobre a inteligência artificial (IA) e o seu potencial impacto no cristianismo, nas pregações e na transmissão da fé. O estudo mostra que, embora a tecnologia não seja amplamente rejeitada, há preocupação e incerteza entre as comunidades religiosas.
A pesquisa aponta que a adoção da IA varia entre os ministérios. A cautela surge como resposta natural à novidade, enquanto os jovens fiéis desejam que princípios bíblicos vinculados à IA sejam tratados em sermões para esclarecer a visão sobre o tema.
Prática pastoral
Mais da metade dos pastores protestantes nos EUA não usa IA, mas o uso ativo é menor ainda. Cerca de 10% relatam uso regular, enquanto 32% experimentam a tecnologia. Em contraste, 18% evitam proativamente e 20% simplesmente ignoram a IA.
McConnell, diretor executivo da Lifeway Research, afirma que a IA já está presente em ferramentas diárias, o que pode levar a uma adoção não intencional por alguns pastores. Ele descreve o uso da IA como parte de uma disseminação típica da adoção tecnológica.
Contexto demográfico revela que jovens, urbanos, com maior escolaridade e em igrejas maiores adotam IA com mais facilidade. Entre 18 e 44 anos, 40% experimentam; entre 65 anos ou mais, apenas 4% são usuários regulares.
Diffusão por contexto e formação
Igrejas em áreas urbanas apresentam maior uso regular de IA (11%) do que as rurais (5%). Por outro lado, fiéis de áreas rurais relatam maior tendência a ignorar a tecnologia (27% vs. 18% urbanas).
Pastores com mestrado (10%) ou doutorado (14%) usam IA regularmente mais que os sem diploma (5%). Entre quem não tem formação superior, 25% dizem ignorar a tecnologia.
Perspectiva dos pastores
Quase todos os pastores protestantes demonstram preocupações com IA no ministério, seja quanto à qualidade do conteúdo, à confiabilidade das fontes ou aos vieses embutidos. Entre os desafios avaliados, 84% se preocupam com erros no conteúdo gerado e 81% com fontes confiáveis.
Outras inquietações incluem vieses embutidos (76%), revelação de uso da IA (62%), possível plágio (59%) e a ideia de que Deus se comunicou por meio de pessoas, não pela IA (55%).
Entre os grupos, 58% de pastores evangélicos se preocupam com a ideia de Deus ter transmitido a Palavra por meio de pessoas, enquanto 51% entre tradições históricas compartilham essa preocupação. Elinas separadas indicam maior apreensão entre conteúdos de IA derivados de outras fontes (65% vs. 56%).
Preocupações dos frequentadores
Entre os frequentadores de igrejas protestantes, 61% estão apreensivos quanto à influência da IA no cristianismo, 28% discordam e 11% não sabem. Congregações evangélicas apresentam maior preocupação (67%) do que outras denominações (55%).
Batistas (62%) e presbiterianos/reformados (64%) mostram maior preocupação do que metodistas (48%). Homens tendem a discordar mais do que mulheres, com 31% versus 25% sem preocupação. Entre faixas etárias, 30-49 e 50-64 demonstram maior tendência a não se preocupar do que 65+ (33% e 29% contra 23%).
Cultos com frequência de 1 a 3 vezes por mês associam-se a mais dúvidas sobre influência da IA (31%) do que cultos mais frequentes (26%).
Observação final
O estudo reforça a presença da IA como ferramenta de uso diário no ambiente pastoral e o espectro de adoção entre ministerios, sem, no entanto, apontar um caminho único. A maior preocupação persiste na confiabilidade de conteúdos, honestidade de uso e preservação da relação humana na transmissão da fé.
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