- Jovens de diferentes comunidades do Distrito Federal montaram 27 tapetes feitos à mão, em um corredor de 125 metros na Esplanada dos Ministérios, para a celebração de Corpus Christi nesta quinta-feira, 4.
- Vitória Nunes, 18 anos, coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José (Lúcio Costa), diz que a ocasião celebra fé e amizade real, longe das telas.
- Os desenhos foram realizados sem uso de celular ou inteligência artificial, com participação de rodas, cantos e danças; o trabalho envolve reintegração de posse na comunidade.
- Um grupo de pessoas surdas, incluindo Márcio da Cruz, 36 anos, busca mais inclusão; a mãe dele, Vânia Lúcia da Cruz, 62, comenta sobre obstáculos de comunicação e oportunidades no mercado.
- O Movimento Escalada destaca a importância de atrair jovens para atividades presenciais, mantendo-os engajados ao falar a “linguagem deles” e promovendo encontros formativos.
Na Esplanada dos Ministérios, jovens se unem para celebrar Corpus Christi com tapetes artesanais e um “jejum” de telas. A ação ocorre nesta quinta-feira, 4 de junho, em Brasília, reunindo adolescentes que trabalham o desenho de um cálice com areia, tinta, sal, palha e serragem. A atividade busca fortalecer laços de fé e amizade, longe das telas.
Entre os participantes está Vitória Nunes, 18 anos, coordenadora do grupo jovem da Paróquia de São José, da comunidade Lúcio Costa. Ela afirma que a fé convive com a convivência presencial e que o grupo oferece apoio mútuo em um momento de tensão local, com desocupações na reintegração de posse na região.
O evento destacou a participação de diferentes jovens da capital. O coral, as rodas, cantos e danças marcaram o início do dia, com a produção de 27 tapetes ao longo de um corredor de 125 metros. Os trabalhos acontecem sem uso de celular ou IA, segundo relatos dos jovens envolvidos.
Desenhos à mão
Desenhos feitos à mão são a regra, com traços que unem sal, areia e materiais naturais. Jovens de várias regiões da cidade chegaram ao local no amanhecer para montar os tapetes, acompanhados de atividades artísticas no entorno.
A referência papal pela Encíclica Magnifica Humanitas, publicada recentemente, aponta para a regulamentação da IA e alerta para riscos de desinformação. Nesse contexto, a iniciativa dos jovens reforça a valorização do trabalho manual e da comunicação direta.
A publicitária Luiza Helena Teixeira, 24 anos, participa desde 2019 e viu seu desenho escolhido para compor o tapete de uma das comunidades. Ela afirma que a união entre os participantes gera alegria e inspiração para seguir colaborando.
Inclusão
Ao lado dos jovens da comunidade Lúcio Costa, um grupo de pessoas surdas participa das atividades. Um participante, Márcio da Cruz, 36 anos, está desempregado e sonha atuar com informática. A professora Daniele Galeno, 44 anos, traduz as falas dele para a Agência Brasil, destacando o papel da pastoral na inclusão.
Vânia Lúcia da Cruz, mãe de Márcio, 62 anos, comenta que a participação do filho e de outros jovens surdos traz novas oportunidades, especialmente para quem enfrenta dificuldades de comunicação. Ela reforça a importância de atividades coletivas para ampliar perspectivas de futuro.
A linguagem deles
O Movimento Escalada também participa da esplanada, com a diretora Mariana Abrantes, 23 anos, ressaltando a necessidade de adaptar as atividades à linguagem dos jovens. Ela explica que o envolvimento presencial é essencial para manter o interesse das novas gerações em práticas religiosas, como música, dança e celebração comunitária.
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