A Unidos de Padre Miguel (UPM) enfrenta o risco de rebaixamento para a Série Ouro, tema que será discutido em uma reunião da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), ainda sem data definida. A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro apresentou um recurso contestando as notas do desfile deste ano, buscando reavaliação […]
A Unidos de Padre Miguel (UPM) enfrenta o risco de rebaixamento para a Série Ouro, tema que será discutido em uma reunião da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), ainda sem data definida. A escola da Zona Oeste do Rio de Janeiro apresentou um recurso contestando as notas do desfile deste ano, buscando reavaliação para garantir sua permanência no Grupo Especial. O presidente da Liesa, Gabriel David, expressou que a avaliação foi severa, o que trouxe esperança à direção da UPM. A diretora de carnaval da escola, Lara Mara Rodrigues da Costa, criticou o julgamento, considerando-o inadmissível.
David também mencionou que a escola sofreu preconceito religioso, referindo-se a uma jurada que alegou uso excessivo de termos em iorubá, uma língua africana reverenciada nas religiões afro-brasileiras. Ele afirmou que essa jurada não será renovada e que as escolas devem ter liberdade criativa. A UPM terá a chance de apresentar seus argumentos na plenária, onde os presidentes das doze escolas decidirão o futuro da agremiação. O presidente lembrou que um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) assinado em 2018 com o Ministério Público proíbe a interferência nos resultados dos desfiles, sob pena de multa de R$ 750 mil.
Lara Mara destacou que a questão do uso de iorubá no samba é “repulsiva” e que a UPM conta com apoio de outras escolas, como Grande Rio e Salgueiro. O enredo da UPM, “Egbé Iya Nassô”, homenageou a trajetória da africana Iyá Nassô e do Terreiro da Casa Branca do Engenho Velho. Apesar da incerteza sobre sua situação, a UPM anunciou um desfile para a comunidade nesta sexta-feira (14), às 21h, no Ponto Chic, em Padre Miguel, como forma de agradecimento pelo apoio recebido após o julgamento.
Em 2018, o MP-RJ e a Liesa assinaram um TAC que impediu novas viradas de mesa no Grupo Especial. A Liesa não rebaixou as últimas colocadas, Grande Rio e Império Serrano, devido a dificuldades financeiras enfrentadas pelas escolas. O MP comprometeu-se a arquivar um inquérito civil que investigava possíveis violações dos direitos do consumidor pela Liesa em relação ao não rebaixamento.
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