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Ciclismo feminino avança com salário mínimo e desafios em premiações desiguais

Ciclismo feminino na Espanha ganha impulso com salário mínimo obrigatório a partir de 2024, mas desigualdade de prêmios ainda persiste.

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O ciclismo feminino na Espanha enfrenta dificuldades, com muitas ciclistas fora do World Tour ganhando menos de 10.000 euros por ano e precisando de empregos extras. A partir de 1 de janeiro de 2024, a Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC) vai exigir um salário mínimo para ciclistas em equipes femininas, o que deve ajudar na profissionalização do esporte. Antes, as equipes fora do World Tour não eram consideradas profissionais. Com essa mudança, as ciclistas devem receber pelo menos 1.184 euros por mês. Um documentário chamado “Doble trabajo” mostra a realidade de quatro ciclistas que, apesar de serem profissionais, precisavam de um segundo emprego. Embora haja uma leve melhora no número de mulheres que ganham menos de 10.000 euros, ainda há muito a ser feito. A ciclista Mavi García destaca que a visibilidade das competições femininas aumentou, com mais corridas sendo transmitidas na TV. No entanto, ela também alerta que a imposição do salário mínimo pode ser arriscada para algumas equipes. Além disso, a diferença nos prêmios entre as competições masculinas e femininas ainda é grande, com valores muito menores para as mulheres. Apesar dos avanços, Mavi acredita que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade no ciclismo.

A partir de 1 de janeiro de 2024, a Real Federação Espanhola de Ciclismo (RFEC) implementará um salário mínimo para ciclistas em equipes femininas. Essa medida visa promover a profissionalização e aumentar a visibilidade das competições femininas. Até 2023, mais de 70% das ciclistas fora do World Tour recebiam menos de R$ 10 mil anuais e 78% precisavam de empregos adicionais para complementar a renda, conforme dados da organização The Cyclists Alliance.

Com a nova regra, todos os times femininos devem pagar o Salário Mínimo Interprofissional, atualmente fixado em R$ 1.184 mensais. Antes, apenas as equipes do World Tour eram obrigadas a seguir essa norma, o que não reconhecia as demais como profissionais. A mudança é um passo importante para a valorização das ciclistas.

Documentário e Depoimentos

A Skoda lançou um documentário chamado Doble Trabalho, que retrata a vida de quatro ciclistas que, apesar de serem profissionais, mantinham empregos paralelos. Entre elas estão Usoa Ostolaza, campeã nacional e fisioterapeuta, e Yurani Blanco, subcampeã e educadora infantil. Elas compartilham as dificuldades enfrentadas para equilibrar as duas atividades e como isso impactava seu desempenho esportivo.

Mavi García, ciclista do time australiano Liv AlUla, destaca que a visibilidade do ciclismo feminino aumentou significativamente. “Agora, as corridas são transmitidas, o que gera mais interesse”, afirma. Apesar dos avanços, ela alerta que a imposição do salário mínimo pode ser um desafio para algumas equipes, que podem não conseguir arcar com os custos.

Desigualdade nos Prêmios

A diferença nos prêmios entre as categorias masculina e feminina ainda é um problema. Por exemplo, a vencedora da Vuelta Feminina recebeu R$ 35 mil, enquanto o campeão masculino levou R$ 150 mil. Além disso, as etapas femininas são menos numerosas, dificultando a conquista de prêmios. A Tour de França Feminino também apresenta uma disparidade, com uma bolsa total de R$ 250 mil, comparada a R$ 2,4 milhões do masculino.

Embora a situação esteja melhorando, Mavi García ressalta que ainda há um longo caminho a percorrer para alcançar a igualdade. A nova pesquisa de 2024 da The Cyclists Alliance mostra uma leve melhora, com 55% das ciclistas ainda recebendo menos de R$ 10 mil anuais. A Vuelta a España Feminina começa em 4 de maio e as ciclistas continuam a lutar por melhores condições e reconhecimento.

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