Um grupo de ex-militares britânicos alcançou o cume do Everest em tempo recorde de apenas uma semana, utilizando xenônio, substância considerada doping. A escalada, realizada na última semana, gerou polêmica sobre a ética na montanha mais alta do mundo, que tem uma história de desafios extremos. Tradicionalmente, alpinistas usam oxigênio suplementar para enfrentar a altitude […]
Um grupo de ex-militares britânicos alcançou o cume do Everest em tempo recorde de apenas uma semana, utilizando xenônio, substância considerada doping. A escalada, realizada na última semana, gerou polêmica sobre a ética na montanha mais alta do mundo, que tem uma história de desafios extremos.
Tradicionalmente, alpinistas usam oxigênio suplementar para enfrentar a altitude de 8.849 metros. O uso de xenônio, no entanto, foi revelado pelo grupo, que se preparou com a inalação da substância por pelo menos dez semanas antes da expedição. O xenônio, inodoro e incolor, é conhecido por aumentar a produção de glóbulos vermelhos, facilitando a absorção de oxigênio.
A Agência Mundial Antidoping (WADA) proibiu o uso de xenônio em competições esportivas desde 2014, após escândalos envolvendo atletas russos. Apesar disso, a escalada do Everest não possui regulamentações que impeçam o uso de substâncias como essa. O alpinista brasileiro Waldemar Niclevicz criticou a prática, afirmando que “é doping, sim”, e que o uso de xenônio fere a ética estabelecida entre montanhistas.
Reações e Implicações
A União Internacional das Associações de Alpinismo emitiu um comunicado alertando sobre os perigos do uso de xenônio. Autoridades do governo nepalês também se manifestaram, afirmando que escalar em um tempo tão curto “vai contra os valores e normas tradicionais” respeitados pelos xerpas, guias locais da montanha.
O uso de xenônio pode facilitar o acesso ao Everest, aumentando o número de turistas e aventureiros. Em 2001, apenas 182 pessoas chegaram ao cume, enquanto em 2022, esse número saltou para 861. A crescente popularidade da montanha levanta preocupações sobre o acúmulo de lixo e as filas intermináveis durante a temporada de escaladas.
Niclevicz destacou que muitos escalam o Everest “apenas pelo ego”, sem respeito pelo local e seus habitantes. A controvérsia em torno do uso de xenônio continua a dividir a comunidade de alpinistas, que debate os limites entre ciência e ética na busca por conquistas nas alturas.
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