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Uma década de Infantino na FIFA: recordes bilionários, polêmicas globais e um futebol sob tensão

Infantino acumula vitórias financeiras em 10 anos, mas sofre fortes críticas por questões éticas, políticas e pelo inchaço no calendário do futebol.

Foto: Creative Commons

Antes de ocupar o posto máximo do futebol mundial, Gianni Infantino atuava como um operador discreto nos bastidores europeus. Foi nos corredores da UEFA que aprendeu a linguagem da política esportiva e construiu a base que o levaria ao topo da FIFA. A eleição de 2016 ocorreu em um contexto de reconstrução reputacional, com a […]

Antes de ocupar o posto máximo do futebol mundial, Gianni Infantino atuava como um operador discreto nos bastidores europeus. Foi nos corredores da UEFA que aprendeu a linguagem da política esportiva e construiu a base que o levaria ao topo da FIFA.

A eleição de 2016 ocorreu em um contexto de reconstrução reputacional, com a FIFA sob pressão para melhorar governança e transparência. 

Infantino venceu o pleito e assumiu a presidência em 26 de fevereiro de 2016, com discurso de reforma. Também dizia que tentaria reaproximar a FIFA das federações que se sentiam periféricas na distribuição de poder e recursos.

Expansão e mais dinheiro “na mesa”

Nas decisões estruturais, a grande vitrine do mandato foi a expansão da Copa do Mundo masculina para 48 seleções a partir de 2026. A decisão foi aprovada pelo Conselho da FIFA em janeiro de 2017. 

A medida ampliou vagas e receitas potenciais, mas abriu uma discussão recorrente sobre impacto técnico e sobrecarga de calendário.

Infantino também transformou a expansão em argumento político. Ao defender mais seleções na Copa, ele reforçou a ideia de “inclusão” como contrapartida ao domínio histórico de Europa e América do Sul, discurso que costuma render apoio no bloco de federações menores, decisivo em votações internas.

Sob Infantino, a FIFA  também atingiu receitas recordes em 2019 a 2022, e a entidade segue ancorada no modelo de ciclos e direitos comerciais. 

Documentos oficiais indicam a dependência de direitos de marketing e transmissão e mostram a organização destacando recordes recentes de receita no período.

Esse crescimento virou munição para elogios e críticas. Defensores dizem que a FIFA voltou a operar com poder de investimento e distribuição global. Críticos argumentam que a prosperidade vem acompanhada de incentivos para inflar o calendário e criar novas propriedades comerciais, mesmo sob contestação de atletas e ligas.

Qatar

O ponto mais sensível da década foi o entorno da Copa do Mundo de 2022 no Qatar, quando a FIFA enfrentou cobranças por direitos trabalhistas e liberdades civis.

Organizações como a Human Rights Watch afirmaram que FIFA e Qatar falharam em reparar de modo adequado trabalhadores migrantes e famílias afetadas por abusos ligados às obras e à organização 

O relacionamento com o Qatar não ficou restrito ao torneio. Em 2022, veículos suíços reportaram que Infantino alugou uma casa e passou a ficar no país antes da Copa, algo que alimentou críticas sobre independência e sobre a distância da sede histórica da FIFA em Zurique.

Calendário lotado 

Se a Copa ampliada foi o emblema do projeto, a tensão mais atual aparece na disputa pelo calendário internacional. 

A ampliação e o redesenho do Mundial de Clubes se tornaram foco de críticas por risco de sobrecarga física e mental, ponto que a entidade global de jogadores, a FIFPRO, colocou no centro de relatórios e alertas sobre carga excessiva.

Além do debate médico esportivo, há conflito de governança e dinheiro. Reportagens recentes também mostram fricção com clubes por pagamentos e distribuição de solidariedade em torno do Mundial de Clubes, expondo ruído operacional e pressão política por critérios claros de repasse.

Futebol

Dentro do futebol político, Infantino é visto como um presidente eficiente em construir maioria, distribuir recursos e ampliar o alcance comercial da FIFA. 

A lógica é simples: mais competições e mais propriedades globais fortalecem o caixa e, com caixa forte, cresce o poder de influência sobre as 211 federações que votam e dependem de repasses e projetos.

No futebol de elite, sobretudo entre clubes europeus e representantes de atletas, ele concentra críticas por “esticar” o calendário e por decisões que parecem desenhadas para maximizar receita, mas que causam um grande desgaste físico dos jogadores.

Kylian Mbappé, atacante do Real Madrid e capitão da seleção francesa, criticou o calendário europeu, em entrevista coletiva:

Foto: Creative Commons

“Não sei se estamos preparados para jogar uma temporada de 60 partidas. Em minha experiência no futebol, vi muitos jogos. Não lembro de um jogador que tenha disputado 60 partidas em alto nível numa temporada.”

O craque também alegou que na maioria dos casos a resposta é sempre a mesma:

“É necessário mais tempo de descanso, de férias, para tentar recuperar o corpo. Mas o debate é assim, podemos dar explicações mas a resposta é sempre que ganhamos muito dinheiro e por isso jogamos.”

Rodri, jogador do Manchester City, também foi outro jogador a criticar o excesso de jogos na temporada:

Foto: Creative Commons

Não lembro exatamente o número de jogos que fiz, mas tive uma conversa com o clube e com o treinador (Pep Guardiola) porque não é saudável. Que se faça isso durante uma temporada, mas, quando são duas ou três seguidas, pode ser pior para o time. Por isso, tenho que ter cuidado. Já falamos isso antes, não pode ser sempre assim – apontou o jogador.

Dez anos depois, o saldo é de um dirigente que modernizou a máquina e consolidou poder, ao mesmo tempo em que normalizou uma presidência permanentemente em disputa com a opinião pública, com ONGs e com parte relevante do futebol profissional.

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