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Estudo revela que jogadores de elite possuem habilidades cognitivas superiores e perfil psicológico distinto

Estudo revela que jogadores de elite têm habilidades cognitivas e traços de personalidade que impactam seu desempenho em campo.

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Um estudo recente mostrou que jogadores de futebol de alto nível têm habilidades cognitivas melhores e traços de personalidade que ajudam no desempenho em campo. A pesquisa, publicada na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, analisou 153 jogadores das principais ligas do Brasil e da Suécia. Os atletas passaram por testes que mediram criatividade, memória, atenção, planejamento e resolução de problemas, e os resultados mostraram que eles se saíram melhor do que um grupo de não atletas. Além disso, os jogadores apresentaram mais extroversão, abertura a novas experiências e conscienciosidade, enquanto o grupo de controle teve melhores resultados em condescendência e neuroticismo. Os pesquisadores usaram essas características para treinar inteligência artificial a identificar jogadores de elite com 97% de precisão. O estudo também sugere que esses atletas tendem a questionar ordens e precisam de justificativas para seguir instruções, o que pode impactar a forma como os treinadores se comunicam. Os autores acreditam que os resultados podem ajudar clubes a melhorar o treinamento e a seleção de jogadores, incorporando avaliações cognitivas e psicológicas. Especialistas destacam que entender o perfil psicológico dos atletas é importante, mas ainda não existe um modelo definitivo para prever o sucesso no esporte.

Estudo aponta traços cognitivos e de personalidade em jogadores de elite

Uma pesquisa recente revelou que atletas de alto rendimento no futebol demonstram habilidades cognitivas superiores e traços de personalidade específicos, que contribuem para o desempenho em campo. O estudo, publicado em janeiro na revista *Proceedings of the National Academy of Sciences* (PNAS), investigou 153 jogadores das séries A do Campeonato Brasileiro e da principal categoria da Suécia.

A pesquisa, liderada por pesquisadores internacionais com participação do brasileiro Alberto Filgueiras, da Universidade de Queensland Central, na Austrália, é considerada a avaliação psicológica e cognitiva mais extensa já realizada com atletas de elite. Os jogadores foram submetidos a testes neuropsicológicos que avaliaram criatividade, memória, atenção, planejamento e resolução de problemas.

Habilidades cognitivas e traços de personalidade favorecem o desempenho

Os resultados indicaram que os jogadores apresentaram pontuações médias superiores em todos os testes cognitivos, em comparação com um grupo de controle de não atletas. Além disso, demonstraram níveis mais altos de extroversão, abertura a novas experiências e conscienciosidade – traços ligados à ambição, autodisciplina e foco nos objetivos. Em contrapartida, o grupo de controle pontuou mais alto em condescendência e neuroticismo.

Os pesquisadores utilizaram as características identificadas para treinar inteligências artificiais a distinguir jogadores de elite de não atletas, com 97% de acerto. A análise também revelou que jogadores com maior conscienciosidade e abertura a novas experiências marcaram mais gols, enquanto aqueles com melhor memória tiveram mais sucesso em dribles.

“Inteligência esportiva” e questionamento de ordens

O estudo sugere a existência de uma “inteligência esportiva”, voltada para a resolução de problemas e tomada de decisões eficazes em campo. Uma constatação relevante foi a baixa condescendência dos atletas de elite, demonstrando uma tendência a questionar ordens diretas e buscar justificativas antes de seguir instruções.

“Isso nos faz refletir sobre o papel dos treinadores, que frequentemente dão muitas instruções e comandos”, afirma Filgueiras. “Esses atletas não obedecem automaticamente. Eles questionam e precisam ser convencidos de que a orientação faz sentido.”

Implicações para o treinamento e seleção de atletas

Os autores defendem que os resultados podem ser utilizados por clubes e comissões técnicas para aprimorar os métodos de treinamento, incorporando testes cognitivos e psicológicos na avaliação e desenvolvimento de jogadores. A análise dessas habilidades permitiria uma abordagem mais precisa na seleção de atletas, definição de funções e refinamento de estratégias.

Ricardo Picoli, psicólogo do Esporte Clube Bahia, ressalta que a capacidade de avaliar oportunidades de carreira e adaptar-se a mudanças táticas é crucial no esporte de alto rendimento. Kátia Rubio, professora da Universidade de São Paulo (USP), destaca que a busca por perfis psicológicos no esporte remonta à década de 1960, mas ainda não existe um modelo definitivo para prever o sucesso de um atleta.

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