Na partida contra o Paraguai, a seleção brasileira jogará na Neo Química Arena, em São Paulo, seguindo uma tendência de realizar a maioria dos jogos em estádios modernos. Desde 2015, 95% das partidas ocorreram em 12 cidades que sediaram a Copa de 2014, o que facilita a logística e aumenta os lucros da CBF. No entanto, isso tem afastado torcedores de regiões que não têm esses estádios, como Goiânia e Belém, que foram as únicas exceções em 41 jogos realizados no Brasil nesse período. A região Sudeste teve 20 jogos, enquanto o Centro-Oeste viu uma queda, com apenas cinco partidas. Especialistas apontam que a escolha por arenas com boa infraestrutura é importante, mas isso pode prejudicar a conexão da seleção com torcedores de outras áreas. A CBF precisa encontrar um equilíbrio entre a eficiência logística e a inclusão de todos os fãs.
Ao enfrentar o Paraguai nesta terça-feira (10), pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026, a seleção brasileira reforçará uma tendência que se consolidou nos últimos anos. A partida será realizada na Neo Química Arena, em São Paulo, um dos estádios reformados que se destacaram após a Copa de 2014. Desde 2015, 95% dos jogos da seleção ocorreram em 12 cidades-sedes do Mundial, refletindo a estratégia da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) de priorizar arenas modernas e com melhor infraestrutura.
Esse movimento, embora eficiente do ponto de vista logístico e financeiro, tem gerado distanciamento da torcida em regiões sem essas estruturas. De 2015 a 2024, o Brasil realizou 41 partidas em território nacional, com apenas duas exceções: Goiânia e Belém. A concentração em cidades-sedes, como Rio de Janeiro e São Paulo, que receberam um aumento significativo de jogos, é vista como uma lógica de gestão esportiva. Eduardo Corch, consultor de marketing esportivo, destaca que essas arenas oferecem melhores condições para torcedores e atletas.
Impacto nas Regiões
A escolha de estádios modernos também se deve à complexidade logística, já que os jogadores estão espalhados por clubes ao redor do mundo. Cesar Grafietti, economista e sócio da consultoria Convocados, ressalta que a seleção não pode mais jogar em locais como o Parque do Sabiá, em Uberlândia, devido à falta de infraestrutura. A região Sudeste, em particular, se beneficiou com 20 jogos entre 2015 e 2024, em comparação a apenas 14 de 2004 a 2013.
Por outro lado, a região Centro-Oeste viu uma queda no número de partidas, passando de oito jogos entre 2004 e 2013 para cinco no período atual. Estádios como o Rei Pelé, em Maceió, e o Morenão, em Campo Grande, não receberam mais a seleção após a Copa de 2014. Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value, aponta que a maximização de receitas é um fator crucial nas escolhas dos locais dos jogos.
Desafios Futuros
A CBF enfrenta o desafio de equilibrar a eficiência logística com a inclusão de torcedores em regiões menos favorecidas. Corch alerta que o afastamento de cidades que não foram sede pode comprometer a conexão afetiva da seleção com a população local. A realidade atual do futebol brasileiro exige que a seleção priorize estádios que garantam uma experiência completa e segura para os fãs, mas isso pode deixar parte da torcida à margem.
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