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Julio Casares renuncia à presidência do São Paulo após afastamento e processo de impeachment

Dirigente deixa o cargo cinco dias depois de o Conselho Deliberativo aprovar o impeachment; vice Harry Massis Júnior assume até dezembro de 2026

Julio Casares renunciou nesta quarta-feira (21) e não ocupa mais a presidência do São Paulo. A decisão ocorre cinco dias depois de o Conselho Deliberativo aprovar o impeachment do dirigente, na última sexta-feira (16), com afastamento imediato até a realização de uma assembleia de sócios, etapa que poderia confirmar a saída em definitivo. A renúncia […]

Julio Casares renunciou nesta quarta-feira (21) e não ocupa mais a presidência do São Paulo. A decisão ocorre cinco dias depois de o Conselho Deliberativo aprovar o impeachment do dirigente, na última sexta-feira (16), com afastamento imediato até a realização de uma assembleia de sócios, etapa que poderia confirmar a saída em definitivo.

A renúncia foi anunciada pelo próprio Casares em publicação nas redes sociais, acompanhada de uma carta aberta aos torcedores. Com o movimento, o ex presidente preserva os direitos políticos no clube, que poderiam ser suspensos caso o impeachment avançasse.

Com a saída, o vice Harry Massis Júnior, de 80 anos, assume o comando do São Paulo até o fim do mandato, em dezembro de 2026. Massis integra a vice presidência desde 2021, é sócio do clube há 61 anos e já exerceu outras funções na política interna.

O processo contra Casares ganhou força em meio a investigações e denúncias que atingiram os bastidores do clube. Uma das apurações cita um suposto recebimento de R$ 1,5 milhão em depósitos em dinheiro na conta corrente do dirigente entre janeiro de 2023 e maio de 2025. Relatórios de análise financeira do Coaf apontam depósitos fracionados, com registros de até 12 operações em um único dia, em valores pequenos, padrão associado à prática conhecida como “smurfing”, com tentativa de contornar mecanismos de controle.

Outra frente envolve a suspeita de comercialização irregular de camarotes no Morumbis. Segundo registros citados nas reportagens, um caso com repercussão interna ocorreu a partir de um áudio divulgado pelo portal ge, no qual Douglas Schwartzmann, diretor adjunto da base, e Mara Casares, diretora feminina, cultural e de eventos e ex esposa do dirigente, admitem participação em um esquema para uso clandestino de um camarote durante o show da cantora Shakira, em fevereiro de 2025. O espaço, identificado como camarote “3A”, fica ao lado do camarote da presidência e teria sido cedido por Marcio Carlomagno, CEO do clube e apontado como provável candidato à presidência na eleição de 2026. Após o episódio, Mara Casares se afastou das atividades e registrou em cartório um documento no qual busca isentar Julio Casares do caso.

As matérias também citam apurações da Polícia Civil em mais de uma linha, com inquérito aberto e atuação em frentes que incluem supostas irregularidades no departamento de futebol e movimentações bancárias do São Paulo e de Casares. Entre os pontos mencionados, há investigação sobre 35 saques nas contas do clube entre 2021 e 2025, total de R$ 11 milhões.

Após a divulgação da investigação sobre movimentações financeiras, a defesa de Casares divulgou nota por meio dos advogados Daniel Bialski e Bruno Borragine. O texto afirma que as movimentações presentes nos relatórios do Coaf têm origem lícita, com lastro compatível com a evolução da capacidade financeira do dirigente, e ressalta que, antes de assumir a presidência do São Paulo, ele exerceu funções de alta direção na iniciativa privada. A defesa também declara que a origem e o lastro das movimentações serão detalhados no curso das investigações, com apresentação de provas, declarações e informações fiscais.

Na carta divulgada nesta quarta-feira, Casares afirma que atuou com seriedade e compromisso com a instituição e sustenta que o clube viveu, nos últimos meses, um ambiente de instabilidade, com ataques e narrativas que, segundo ele, distorceram o debate interno. Ele diz que não atribui, naquele momento, autoria ou responsabilidades específicas, mas relata articulações políticas de bastidores e afirma que o cenário atingiu sua família e sua vida pessoal. O ex presidente também defende que não renunciou antes por considerar necessário exercer o direito de defesa, mas argumenta que o rito limitou a produção de provas e que a decisão do Conselho encerrou um processo de natureza política. Casares declara que não cometeu irregularidades e afirma que a renúncia não representa confissão nem reconhecimento de culpa. Ele cita a necessidade de preservar a saúde e proteger a família de ataques e ameaças, além do objetivo de evitar que a disputa interna afete o time e o ambiente esportivo. Também afirma que o afastamento abre espaço para apurações amplas e isentas, sem alegações de interferência.

Casares assumiu a presidência a partir do triênio 2021 a 2023, após eleição em 12 de dezembro de 2020, e foi reeleito para o triênio 2024 a 2026. As reportagens listam conquistas esportivas sob sua gestão, como o Campeonato Paulista de 2021, a Copa do Brasil de 2023 e a Supercopa contra o Palmeiras, além de vice campeonatos no Paulista e na Sul Americana em 2022.

No campo financeiro, os textos apontam crise e endividamento elevado. Uma das matérias afirma que a dívida total se aproxima de R$ 1 bilhão. Outra detalha que o valor passou de R$ 635 milhões em 2021 para R$ 968 milhões em 2024, com impacto associado a contratações e decisões de mercado, além de mudança de rota administrativa a partir da criação de um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios.

O pedido para discutir o impeachment, segundo uma das reportagens, foi protocolado em 23 de dezembro, com 57 assinaturas, por um grupo de conselheiros da oposição, com apoio adicional de integrantes da situação. A votação do Conselho Deliberativo, na última sexta-feira (16), determinou o afastamento imediato de Casares, e a renúncia desta quarta-feira (21) encerra sua passagem pelo cargo antes da assembleia de sócios que poderia confirmar o impeachment.

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