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Autoridades retomam diálogo, mas fim da torcida única em SP é difícil

Diálogo entre autoridades e torcidas organizadas avança, mas fim da torcida única em São Paulo depende de mudanças técnicas e novas negociações

Seleção sportv debate torcida única
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  • Movimento liderado por Renan Bohus e pela Anatorg voltou a se reunir com autoridades de São Paulo para debater a flexibilização da torcida visitante, medida que completa dez anos em vigor.
  • Proposta defende retomada gradual da presença de rivais nos estádios, com uso de tecnologias como biometria e câmeras para identificar torcedores e planejar o acesso.
  • O último clássico com torcidas adversárias ocorreu em três de abril de dois mil e dezesseis, no Pacaembu, entre Palmeiras e Corinthians; desde então, a torcida tem sido única.
  • O Ministério Público envia anualmente recomendações à Federação Paulista de Futebol para manter a torcida única; a Federação acata a recomendação.
  • Defensores afirmam que avanços tecnológicos ajudam na segurança, mas autoridades destacam preocupação com trajetos de deslocamento dos torcedores; promotor Bacal defende a manutenção da torcida única.

Nas últimas semanas, um movimento liderado pelo advogado Renan Bohus e pela Anatorg (Associação Nacional das Torcidas Organizadas) tem se reunido com autoridades de São Paulo para discutir a possibilidade de flexibilizar a regra de torcida única nos clássicos do estado, vigente há 10 anos. O objetivo é permitir a presença de torcidas adversárias de forma gradual e controlada.

Bohus defende um retorno gradual da presença de rivais, com uso de tecnologia como biometria de acesso e câmeras de segurança para identificar comportamentos violentos. O pesquisador aponta que, em 2016, o cenário de segurança era diferente e que 2026 traz avanços que ajudam a viabilizar mudanças.

Segundo o advogado, a tecnologia atual permitiria identificar rapidamente torcedores que cometam atos de violência. Ele afirma que a retomada gradual seria viável, mantendo mecanismos de monitoramento e planejamento prévio.

O último clássico em que as torcidas adversárias dividiram um estádio em São Paulo ocorreu em 3 de abril de 2016, no Pacaembu, entre Palmeiras e Corinthians. Naquele dia houve confronto antes e depois do jogo, resultado em ferimentos e prisões.

No dia seguinte, o então secretário de Segurança Pública de São Paulo anunciou restrições que seriam válidas apenas até o fim daquele ano. Desde então, as medidas se expandiram para englobar mais clubes, sem revisão periódica.

O Ministério Público, ano a ano, envia recomendações para restringir a presença de torcedores apenas aos torcedores do time da casa, e a Federação Paulista de Futebol (FPF) costuma acatar. Ações de clubes pelo fim da torcida única são discutidas, mas com menor entusiasmo que debates sobre bebidas nos estádios.

Bacal, um defensor da manutenção da medida, afirma que a torcida única ajudou a reduzir violência e facilitar o transporte público durante os jogos. Ele cita dados de processos no Jecrim como indícios de que a medida funciona, embora reconheça que novas tecnologias ajudam no combate à violência.

Entretanto, Bohus destaca que dados usados para fundamentar a política costumam ser antigos. Ele defende inclusão da Defensoria Pública no debate para assegurar participação dos torcedores, além do MP e da OAB, que já integraram conversas recentes com promotores e autoridades.

O MP trabalha para criar um grupo de estudo interno sobre questões relacionadas ao futebol, incluindo possíveis restrições adicionais como venda de bebidas e restrições a bandeiras com mastros. A abertura é vista como passo inicial, com ressalvas, segundo fontes próximas ao órgão.

A Federação Paulista reiterou que a definição de torcida única não é de sua competência e que a instituição apenas acata a recomendação do Ministério Público, mantendo o atual formato para os clássicos regionais.

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