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Março termina sem grandes avanços, balanço do esporte feminino

Apesar de avanços, desigualdades e violência marcam o esporte feminino no Brasil; a FIFA impõe regra para ampliar presença de mulheres nas comissões técnicas

Campanhas, posts e discursos bem-intencionados são bem-vindos, mas as desigualdades ficam, diz a articulista
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  • Brasil será sede da Copa feminina de 2027, mas as desigualdades no esporte feminino seguem presentes, mesmo com avanços.
  • A violência contra a mulher é apontada como fenômeno estrutural e cria ambiente hostil em espaços esportivos.
  • No futebol feminino, apenas cerca de 22% das comissões técnicas são lideradas por mulheres; no voleibol, a presença feminina em altos cargos é ainda menor.
  • Iniciativas como Mira, Equilibrando o Jogo e ações da ONU Mulheres existem, mas faltam escala e continuidade na implementação.
  • A FIFA aprovou regra a partir de 2026 para exigir ao menos duas mulheres nas comissões técnicas em competições femininas, buscando aumentar a representatividade.

A prática esportiva feminina no Brasil vive avanços, mas ainda enfrenta desigualdades e episódios de violência que impactam a segurança e as oportunidades das atletas. Dados e relatos indicam um cenário de recorded tempo com avanços tímidos e resistência persistente. O mês de março evidenciou essa dualidade: celebração de conquistas coexistindo com lacunas estruturais.

Embora haja crescimento de participação e qualificação, o ambiente esportivo ainda está marcado por redes fechadas, machismo e sub-representação em cargos de decisão. Em Paris 2024 houve equilíbrio entre homens e mulheres entre as atletas, mas a composição técnica permanece desequilibrada. O quadro afeta toda a cadeia, desde clubes até federações.

A violência contra a mulher, institucional ou cotidiana, não é fenômeno isolado, mas histórico. Pesquisas associam o machismo a comportamentos que atravessam clubes, escolas e estádios, com redes sociais que reforçam resistência a mudanças. Casos relatados de assédio em diferentes modalidades amplificam o desafio de ambientes mais seguros.

O mercado do esporte tem iniciativas, porém com alcance ainda limitado. O COB criou áreas voltadas a mulheres, com programas como Mira e Equilibrando o Jogo, além de cartilhas e canais de escuta. Confederações e ONU Mulheres também atuam, mas a escala e a continuidade permanecem como entraves.

Avanços e desafios

Dados apontam que poucas mulheres compõem comissões técnicas de clubes da Série A do futebol feminino. Em voleibol, a presença de treinadoras na elite segue baixa, ainda que haja maior participação na base. A ampliação da presença feminina passa por mudanças estruturais e maior acesso a cargos de liderança.

Casos de violência e condutas inadequadas continuam aparecendo no esporte brasileiro. Houve episódios envolvendo clubes, árbitras e profissionais, além de episódios de assédio em partidas. Medidas disciplinares têm sido aplicadas, mas a efetividade depende de ações educativas contínuas.

A Federação Internacional de Futebol (Fifa) aprovou uma regra, a partir de 2026, que exige a inclusão de pelo menos duas mulheres nas comissões técnicas de equipes femininas, com uma delas atuando como treinadora. A norma visa ampliar a representatividade em clubes e seleções.

Olhar para o futuro

Ainda é essencial ampliar a participação de mulheres em cargos técnicos, especialmente em categorias de alta visibilidade. O objetivo é criar um ecossistema esportivo mais equilibrado, com condições iguais de acesso, remuneração e desenvolvimento profissional.

Diversos atores defendem continuidade de programas, com acompanhamento e expansão de ações já existentes. O desafio é traduzir iniciativas em mudanças contínuas, não apenas em campanhas sazonais. O esporte brasileiro ganhou mais recursos e atenção, mas precisa avançar para consolidar avanços.

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