- O Brasileirão de 2026 já teve dez técnicos demitidos em dez rodadas, igualando o ritmo de 2025 e 2024, segundo levantamento do Lance!.
- O estudo analisa todas as trocas de treinadores desta década na Série A para entender se as demissões realmente ajudam a melhorar o desempenho.
- Exemplos com propósito ilustrativo: Santos, em 2025, passou por três treinadores; Fortaleza iniciou o Brasileirão com três comandante diferentes na mesma temporada.
- Casos de estabilidade ainda são raros: Abel Ferreira no Palmeiras desponta como exceção, enquanto Rogério Ceni já atua há quase três anos no Bahia e Rafael Guanaes tenta manter o Mirassol em 2026.
- A pesquisa aponta que a primeira troca costuma ocorrer entre equipes que lutam contra o rebaixamento, a segunda troca pode gerar pico de recuperação, mas o terceiro treinador quase sempre não passa de 40% de aproveitamento.
O Brasileirão 2026 mantém a marca de dez técnicos demitidos em dez rodadas, cenário similar a 2025 e 2024. O levantamento do Lance! analisa as mudanças de comando na Série A nesta década para verificar se as demissões ajudam ou prejudicam o desempenho.
A ideia central é que a primeira troca costuma ocorrer em times que lutam contra o rebaixamento ou que não atingiram o objetivo esperado no início. A segunda troca funciona como um botar botão de pânico, mas nem sempre gera recuperação duradoura.
Entre os casos mais comentados, o Santos viveu três trocas em 2025. Pedro Caixinha caiu após três jogos, Cléber Xavier ficou com 43% de aproveitamento e foi substituído por Vojvoda, que teve 48% e tirou o time do risco de queda.
Em Fortaleza, a temporada anterior começou com Vojvoda, caiu com 26% de aproveitamento, passou por Renato Paiva (20,8%) e terminou com Martín Palermo (55% de pico), sem evitar o rebaixamento. O relógio de desempenho nem sempre condiz com o número de trocas.
Abel Ferreira aparece como caso único no Brasil, com cinco anos no Palmeiras e relação estável com o clube. Rogério Ceni, no Bahia, construiu trajetória de quase três anos, mantendo certa consistência. Rafael Guanaes, no Mirassol, busca manter o ritmo após campanha histórica em 2025.
Diante disso, a estabilidade fica em xeque. A rápida rotatividade de treinadores é vista como parte do regulamento do futebol brasileiro, enquanto a busca por um modelo de gestão mais estável é apontada como desafio para projetos diversos, não apenas para SAFs ou clubes sociais.
A linha de corte das demissões
Entre os cenários, a maior estabilidade ocorreu quando houve apenas uma troca ao longo da edição. Nesses casos, o aproveitamento médio fica em 45,46%, suficiente para manter a Série A e ainda disputas na Copa Sul-Americana e pré-Libertadores.
Já com a terceira troca, o rendimento cai. Dos 119 cenários analisados, 94 envolviam no máximo dois treinadores, enquanto 25 tiveram três ou mais nomes. O aproveitamento médio nesse último grupo é de 31,96%, revelando quadro caótico segundo a Sofascore.
O levantamento aponta que a primeira troca costuma ocorrer em clubes que tentam salvar a temporada, enquanto a segunda troca é um recurso de urgência. Em alguns casos, a mudança resulta em melhoria, mas não há garantia de efeito contínuo.
Casos e desdobramentos
O Santos, em 2025, exemplifica a escalada de demissões: Caixinha foi desligado, Xavier permaneceu pouco tempo e Vojvoda assumiu, salvando o time do rebaixamento. Fortaleza mostrou que o pico de aproveitamento de um novo treinador nem sempre evita o descenso, mesmo com 55%.
Abel Ferreira é destacado pela longevidade, e Rogério Ceni aparece como exemplo de estabilidade em Bahia. Rafael Guanaes tenta manter o desempenho em Mirassol após campanha histórica, com calendário ainda mais exigente em 2026.
Diante disso, a conclusão não aponta responsáveis únicos. O imediatismo por resultados permanece como traço marcante do futebol brasileiro, enquanto a estabilidade é tratada como caso isolado, seja por sequência vitoriosa ou por modelo de gestão.
Seja qual for o formato, o desafio é claro: entender quais elementos de gestão, planejamento e desenvolvimento técnico permitem consistência de longo prazo, independentemente de estruturas como SAF ou ações sociais.
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